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Holly Reader

Opiniões literárias, leituras programadas, desafios, devaneios, TAG's, novidades editoriais, eventos, encontros. Aviso: pode criar dependência a livros :)

Últimas leituras | Julho e Agosto

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Quatro livros muito diferentes. "O Amante" de Marguerite Duras, "As coisas que os homens me explicam" de Rebecca Solnit, "Depois a louca sou eu" de Tati Bernardi, "Pássaros na Boca" de Samanta Schweblin. Todos livros escritos por mulheres, acabo de me aperceber disso neste momento. Sorrio, pois gostei de todos, cada um à sua maneira.

 

Começo por "O Amante", um livro intrigante, belo e carregado de tristeza. A escrita de Marguerite Duras é cheia de emoção, um pequeno livro com uma história gigante. A descoberta do amor na adolescência, uma relação complicada com a mãe e irmãos, uma vida familiar pautada pela falta de recursos materiais e sobretudo pela falta de afecto. É também uma escrita aberta, despojada de vergonha, sincera e brutal. Não existem medos e nada ficou por dizer. E esta frase, esta frase diz tudo.

A história da minha vida não existe. Isso não existe. Nunca há um centro. Não há caminho, nem linha. Há vastos lugares onde se faz crer que havia alguém, não é verdade, não havia ninguém. 

 

"As coisas que os homens me explicam" foi uma leitura surpreendente, descobri factos surpreendentes acerca de como as mulheres sempre foram e continuam ser alvos fáceis da violência praticada por alguns homens. Por vezes é difícil abrirmo-nos a esta realidade. A autora começa o livro precisamente com o artigo "As coisas que os homens me explicam" e a partir daí vai abrindo o leque, dando-nos a conhecer vários exemplos que precisam de ver a luz do dia. 

 

"Depois a louca sou eu" foi uma leitura frenética, os textos estão escritos de forma muito inteligente, abordando assuntos sérios - ansiedade, medo, pânico - de forma divertida. Gostei de todos os textos. Fiquei muito fã da autora, espero que a Tinta-da-china continue a editar os seus livros. Tati Bernardi resolveu escrever este livro quando pensou que o avião onde viajava fosse cair. Adorei o facto da autora ter dado aos seus leitores a hipótese de entrarmos na sua mente e também, quase sem nos apercebermos, no seu coração. 

Aeroporto é um lugar péssimo porque soma as cinco coisas mais terríveis do mundo: despedida, fila, ser humano, placa indicativa e esperança.

 

"Pássaros na boca" é um livro de contos com situações impossíveis, a autora joga com o irreal para passar uma mensagem ao autor. Não fiquei muito impressionada, senti que alguns contos se desviavam do ponto, ou se alongavam demasiado, e isso acabou por me retirar o entusiasmo. No entanto, adorei três dos contos, guardo comigo o melhor deste livro.

Se bateres muito com a cabeça de alguém no asfalto - mesmo que seja para a obrigar a ser razoável - é provável que acabes por lamentá-lo. Esta foi uma coisa que a minha mãe me ensinou desde o princípio...

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