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Holly Reader

Opiniões literárias, leituras programadas, desafios, devaneios, TAG's, novidades editoriais, eventos, encontros. Aviso: pode criar dependência a livros :)

Noturno Chileno | Roberto Bolaño

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Bolaño é mestre no uso das palavras. Comecei muito bem esta leitura, adorei as primeiras páginas. Depois, perdi-me, a mistura de histórias fez-me voltar atrás várias vezes. Voltei a gostar muito em algumas partes específicas mas não como no início. Os diálogos entre os personagens são do mais desconcertante possível. Se por vezes me faziam rir à gargalhada, outras ficava com a sensação que eram todos loucos.

 

É um livro pequeno e recheado. Frenético, por vezes. Confuso. Acho que pela primeira vez gostei de repetições de palavras, fizeram sentido e deram intensidade à situação. Ponto extra para a forma como o narrador desconstrói as suas próprias afirmações, como nos faz duvidar. Senti-me enganada e estranhamente atraída. No entanto, se logo no início lhe dediquei a minha total atenção não consegui voltar a fazê-lo em mais nenhum momento do livro. Estava constantemente à espera do grande momento de Bolaño que não chegou a acontecer. Ou talvez já tivesse acontecido logo naquele início (vale a pena regressar ao início). Acaba de forma desconcertante, quase a roçar o estúpido. É perfeitamente possível que não o tenha entendido. Acho que este foi o primeiro escritor-génio que li. (Talvez Saramago também se enquadre aqui, embora de uma forma mais consciente). Parece-me que Bolaño não tem noção do impacto que provoca e portanto é-lhe fácil trocar as voltas de tudo, quase "gozar" com o próprio texto.

 

Tudo começa com um padre (e crítico literário) a relembrar alguns dos momentos mais marcantes da sua vida. Posso também adiantar que tudo acaba assim.

 

Todo o livro é rodeado de uma aura pesada, quase diabólica, na iminência de um desastre.

 

Vou continuar a ler mais de Bolaño. E o próximo será já daqui a uns dias.

 

"...em certas alturas, os meus ganidos eram apenas audíveis para aqueles que com a unha do indicador eram capazes de raspar a superfície dos meus escritos, só para esses, que não eram muitos, mas que para mim eram suficientes, e a vida continuava e continuava e continuava, como um colar de arroz em que cada bago tivesse uma paisagem pintada..."

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