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Holly Reader

Opiniões literárias, leituras programadas, desafios, devaneios, TAG's, novidades editoriais, eventos, encontros. Aviso: pode criar dependência a livros :)

Caim | José Saramago

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Tudo começou (no mundo) e tudo começa (no livro) com Adão e Eva, os pais de Caim e Abel, que ao morderem a maçã do pecado foram expulsos do paraíso. É este o ponto de partida. Saramago pegou numa personagem da Bíblia, Caim, e fê-la comparecer a vários acontecimentos, entre eles: construcção da arca de Noé, as provas de Job, o sacrifício do filho de Abraão, a destruição de Sodoma e Gomorra.

 

Achei interessante a análise destes eventos (por vezes alterando-os face à Bíblia) e as questões levantadas. No entanto, esperava encontrar muito mais do sarcasmo e da crítica imbatível do autor. Queria que ele fosse mais além, mais fundo nos diálogos e mais drástico nas conclusões. Não se escreve um livro provocador como este sem ferir susceptibilidades, é mesmo para isso que eles servem e neste caso gostava que Saramago tivesse subido ao nível seguinte mas manteve-se quase sempre morno com alguns salpicos de quente. Esperava que o autor se revelasse a todo o segundo e ia esperando, esperando.

 

Li o livro em duas sessões de leitura e no final senti-me um pouco enganada. Compreendo a "lição", vejo os padrões da humanidade, a relação de castigo-pedido-agradecimento que as pessoas desenvolveram com a religião, a forma escolhida para a revelação não podia ser mais original (como aliás já estou habituada no que diz respeito a Saramago) porém faltou-lhe a língua afiada, o prego que fere fundo. Caim foi escolhido para uma reflexão e cumpriu o seu papel mas o livro não me intrigou nem me surpreendeu. Mais livros de Saramago virão e continuo a ansiar por eles.

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