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Holly Reader

Opiniões literárias, leituras programadas, desafios, devaneios, TAG's, novidades editoriais, eventos, encontros. Aviso: pode criar dependência a livros :)

Holly Reader

08 de Junho, 2017

Novidades cá em casa

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Vi este livro nos pré-lançamentos do site Wook e fiquei presa no título. Contactei a editora Parceria A. M. Pereira que gentilmente me cedeu um exemplar para leitura. Este é um livro de contos, o terceiro da autora Leonor Duarte de Almeida.

 

Dei uma rápida vista de olhos pelo livro e descobri umas ilustrações fantásticas.

 

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Vou tentar ler este livro ainda durante o mês de junho pois parece-me ser perfeito para um dia bem passado na praia.

08 de Junho, 2017

O coração é um caçador solitário | Carson McCullers

 

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E eis que terminei este livro. Estou absolutamente perplexa pela maturidade revelada pela autora em tão tenra idade. É um livro que tanto aborda questões muito importantes - pobreza, discriminação, morte - como questões que vão passando pela cabeça de uma criança sonhadora e inconformada. Adorei as personagens que a autora criou assim como a dinâmica entre elas. Foi interessante perceber a realidade desta pequena cidade no sul dos Estados Unidos durante os anos 30. 

 

Quanto à história, tocou-me sobretudo o Mister Singer, um surdo-mudo que "ouve" os problemas e "confissões" de todos os outros personagens sem conseguir encontrar o que precisa no seu melhor amigo. Adorei a sua calma e paciência e o facto das suas palavras não serem necessárias para que os outros personagens se sentissem compreendidos. Por vezes um gesto ou olhar é suficiente. A sua própria presença transmitia tranquilidade. E, no entanto, dentro de si há uma luta por um desejo que não tem fim - o desejo de ser amado por quem não o compreende. Assim, todas as personagens parecem ter especial afecto por alguém que não lhes corresponde da mesma forma, girando todos numa espiral solitária

 

O que não me agradou foram os diálogos (ou monólogos) de alguns personagens que achei, por vezes, demasiado extensos e repetitivos. Para mim, a partir do momento em que os pontos de vista dos personagens são expostos não há necessidade de os repetir à exaustão. Mas o que a mim me desiludiu mesmo foi o facto de não acontecer nada de verdadeiramente significativo ao longo da narrativa quando eu sentia que o texto estava mesmo a pedir que acontecesse algo, por vezes era até anunciado "até que algo aconteceu" mas o que acontecia nunca era realmente suficiente para dar a volta à história. Foi disso que senti verdadeiramente falta, das personagens não serem desafiadas e colocadas em situações intensas quando tinham tanto potencial. Senti que estava a ler uma história quando na verdade não existia muito para contar. Existiam opiniões, reflexões e tentativas de mudança de mentalidade mas sem ação. 

 

Outra coisa que também me faltou foi a emoção (tirando um caso específico). Estava à espera que o livro me trouxesse revolta e tristeza tendo em conta os "temas" abordados mas, infelizmente, não chegou quase nada ao meu coração.

 

Minha pontuação no Goodreads: 3*

 

05 de Junho, 2017

Leituras (previstas) para junho

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A ideia é diversificar um pouco e por isso escolhi para junho pelo menos três livros que não são do género que costumo ler. Quero sair um pouco da minha "zona de conforto" e ver o que acontece. Para isso escolhi um livro de fantasia, outro de poesia e ainda outro para participar no projecto "Junho LGBT" da booktuber Sara Cristina.

 

Estou ansiosa para começar e para ver como é que isto vai correr. Apesar de serem géneros muito diferentes já estou indecisa para escolher o primeiro. Estou também ainda a terminar uma leitura de maio ("O coração é um caçador solitário") e em breve colocarei a minha opinião.

05 de Junho, 2017

2º Encontro do Clube dos Clássicos Vivos

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(desta vez na companhia de Truman Capote)

 

Foi ontem que o Clube dos Clássicos Vivos se encontrou novamente, desta vez na Feira do Livro de Lisboa. Cheguei um pouco mais tarde e por isso não deu para participar tanto na discussão do clássico deste mês mas foi óptimo só para rever as pessoas e ainda partilhar pessoalmente a minha opinião. Foi espectacular ver que o grupo de pessoas que se reuniram era enorme e que o entusiasmo pelos clássicos nos tinha reunido novamente

 

Para além de gostar de clássicos é tão bom saber que existem pessoas do outro lado das páginas e do computador a ler, rir e comentar o mesmo que nós. A partilha do gosto pelos livros faz com que a experiência se torne mais intensa e entusiasmante. Depois da discussão, almoçamos e demos uma volta pela Feira e foi óptimo ver, comentar e folhear livros em boa companhia. Adoro fazer parte deste grupo, espero que o amor pelos clássicos se mantenha e contagie cada vez mais pessoas para se juntarem a nós. Um dia destes, quando dermos conta, somos tantos que damos a volta ao planeta terra de mãos dadas. Obrigada a todas/os.

 

Que venha o próximo clássico e o próximo encontro! :)

 

Para quem se quiser juntar a nós, segue aqui o link para o grupo no Goodreads (onde votamos para o próximo clássico e vamos partilhando a nossa experiência).

05 de Junho, 2017

Boneca de Luxo | Truman Capote

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Li este livro para o Clube dos Clássicos Vivos e penso que foi uma óptima forma de começar a conhecer Capote, um dos grandes escritores do séc. XX. Apesar de ser um livro relativamente pequeno, adorei conhecer a história que o autor partilha connosco. A sua escrita, directa e fluída, envolveu-me logo e prendeu-me até ao final.

 

O narrador (do qual não sabemos o nome) apresenta-nos a Holly Golightly, uma personagem surpreendente, cheia de contradições e com uma enorme carga emocional que arrasta consigo onde quer que vá. Apesar de aparentemente parecer fútil e superficial há muita coisa que nos é revelada nas entrelinhas. Há um enorme vazio em Holly que parece nunca ser preenchido e que é alimentado de todas as formas erradas. Não conhece uma casa, nem um porto seguro e afirma que o sítio onde se sente melhor é na Tiffany's, como se nada de mal pudesse acontecer num sítio cheio de homens ricos e influentes. Penso que esta ideia diz muito acerca dela. 

 

Holly é, tal como é referido no livro, uma impostora, mas uma impostora verdadeira pois acredita nas suas próprias armadilhas, engana-se a si própria quase sem se dar conta, quase como se tivesse construído uma outra pessoa sobreposta aquela que realmente é. E, subitamente, não consegue encontrar o caminho de volta porque acabou por se tornar no que queria: um "animal selvagem" que vive no céu, um céu vazio e vago onde nada realmente existe e o que por momentos parece existir, acaba por desaparecer.

 

Apesar de não chegar nunca a haver romance entre o narrador e Holly, adorei o sentimento que ele nutria por Holly e a forma como a protegia e como desejava a sua felicidade. Sempre atento aos seus movimentos, incapaz de ficar de mal com ela e pronto a aparar-lhe as quedas. Consegui sentir o fascínio que tinha por ela, quase como se a idolatrasse e, ao mesmo tempo, conseguisse perceber quem ela realmente era. 

 

Não será, com certeza, o meu último livro de Capote, fiquei muito curiosa para conhecer as suas outras obras. Conto fazê-lo em breve.

 

Porque me sentia desesperadamente abandonado: um barco de reboque numa doca seca, enquanto ela, entusiasta navegadora de rumo seguro, deslizava pelo porto com assobios vibrando e confetti no ar. 

 

Minha pontuação no Goodreads: 4*

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