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Holly Reader

Opiniões literárias, leituras programadas, desafios, devaneios, TAG's, novidades editoriais, eventos, encontros. Aviso: pode criar dependência a livros :)

Holly Reader

27 de Junho, 2017

Novidades de julho (ou: o que gostava de comprar...)

...mas não posso porque esgotei o saldo do ano na Feira do Livro!

 

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Apesar de não ser mãe, interessam-me muitos estes assuntos relacionados com a maternidade e, mais do que isso, com as supostas "obrigações" impostas pela sociedade às mulheres. Sendo este um livro que compila os relatos de mães que cumpriram algo que a sociedade exigia delas e se arrependeram (ou pelo menos não é o mar de rosas de que toda a gente falava) tinha que me interessar.

 

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Adorei este título sugestivo (e as histórias estão de facto relacionadas com isso). Fiquei muito interessada neste livro, especialmente porque em breve quero começar a descobrir este novo mundo literário por explorar: o Brasil.

 

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Há alguém que não queira este livro? Vi o trailer, fiquei apaixonada e agora quero ler o livro antes de ver o filme. Há dias assim.

 

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Achei muita piada a este título e à sinopse. Este livro fala um pouco acerca da história do adultério recorrendo, por vezes, a algumas histórias da literatura.

 

Interessados/as em algum destes?

 

22 de Junho, 2017

Confissões | Kanae Minato

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Estava à espera de um thriller que me deixasse a roer as unhas. Confesso que as expectativas eram mesmo muito elevadas. Comecei a ler e não estava a gostar, avancei e fiquei à espera que me surpreendesse. A meio já estava a desejar que o livro terminasse, não o deixei de lado porque fiquei na expectativa da "vingança implacável".

 

Muito sinceramente? Achei o livro mal escrito, há frases que estão mal construídas e já não podia ler a palavra "prefeitura". As ideias dos personagens não me pareceram consistentes, nem originais, nem sequer remotamente assustadoras (penso que era essa a ideia). Se num parágrafo começam uma ideia no seguinte mudam de assunto e dão uma opinião que contradiz a anterior (e não me pareceu que fosse para traduzir alguma espécie de "loucura"). Achei que o "crime hediondo" deveria ter sido muito mais trabalhado e quanto ao "plano diabólico" da professora nem sei se se pode chamar de plano, não senti sequer que ela se tivesse vingado no final. 

 

Para além disto, não achei nada realista o facto de os miúdos poderem andar fora de casa até altas horas da noite, a sofrerem maus tratos dos colegas e os pais praticamente não dão conta. Não consegui sentir nenhuma emoção em nenhuma etapa deste livro, achei-o vazio e não acreditei na história. Eu sei que é ficção mas, para gostar, tenho que acreditar. Quando isso não acontece, não há mais nada que eu possa fazer.

 

Tenho mais uma vez muita pena por não ter gostado e vou continuar a minha busca por um thriller que mexa comigo.

 

Alguma recomendação?

 

Minha pontuação no Goodreads: 1*

19 de Junho, 2017

Escuro | Ana Luísa Amaral

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Li este livro de poesia num ápice. Sinceramente, não sei se existe algum "método" ou algumas "regras" para se ler poesia por isso comecei com vontade e terminei-o muito rapidamente. Foi a minha estreia num livro de poesia.

 

Adoro o Fernando Pessoa desde que me lembro e li um poema ou outro de Florbela Espanca de forma que não tenho grande base de experiência neste género literário. Procurei limpar a mente de tudo e concentrar-me apenas nas palavras da autora, reli várias vezes a mesma linha e muitas das vezes encontrava um significado para as suas palavras que julgo ser só meu. Penso que esse será um dos encantos da poesia, pelo facto de ser tão "codificada", cada leitor terá o seu entendimento (o que por vezes também acontece com outros géneros) mas aqui penso que essa subjectividade está mais presente e, no entanto, as palavras são directas e certeiras.

 

Gostei bastante de alguns dos poemas enquanto que outros me disseram pouco. Foi uma boa experiência e por isso corri logo a comprar um outro livro de poesia. Sinto que agora estou preparada para este vale de emoções tão complexo e, por vezes, tão obscuro que podemos encontrar neste género.

 

Os meus dois poemas preferidos são: Adamastor e Europa (poema 1).

 

Minha pontuação no Goodreads: 3,5 (na plataforma terei que dar 3)

13 de Junho, 2017

Hoje estarás comigo no paraíso | Bruno Vieira Amaral

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Estão reunidas as condições para termos um bom livro em mãos: escrita cuidada e fluída, uma boa história para ser contada e o sentimento de proximidade com o autor. Fui logo agarrada pela sua mão experiente e deixei-me conduzir sem pensar muito, reflectindo apenas quando o autor me chamava a contas - com citações, letras de músicas, finais de capítulos ou vozes de outros personagens.

 

Ao início a narrativa parece desenvolver-se rapidamente deixando no ar a promessa de uma viagem atribulada. De facto, a viagem é bastante atribulada e pelo meio dela contamos ainda com a ligação emocional do autor com a história que é parcialmente verdadeira (que parte dela o é, ficaremos sem saber). Esta é uma das minhas partes preferidas - esta ligação do autor com a história que nos é revelada aos poucos e do seu percurso como escritor. Gostaria que me tivesse contado mais acerca disto. (Fica aqui o pedido).

 

Achei também muito interessante (e uma sábia escolha) o facto de o autor ter colocado várias citações de outros autores ao longo da narrativa, à medida que os fios invisíveis iam sendo descobertos. Outra das coisas que gostei foi a aura de "mistério" que paira (e continuará a pairar) ao longo de toda a história, mas principalmente à medida que caminhamos para o final. Tive uma supresa nas páginas finais que me fez arrepiar e foi aí que tive a certeza que o João Jorge tinha mexido comigo. Continuarei a pensar nele como alguém que sinto próximo de mim.

 

As descrições da vida na margem sul nos anos 80 são impressionantes e é possível visualizar tudo o que é descrito. Fiquei com uma noção que não tinha acerca da pobreza e discriminação que ali se vivia (será que ainda se vive?). Não tendo nunca (ou quase nunca) convido de perto com estas situações foi algo que me revoltou e que me fez querer mudar aquele passado daquelas pessoas tão distantes de mim e que de alguma forma estavam sentadas ao meu lado enquanto lia a sua história.

 

Parabéns ao autor por tudo isto. Pelas relações entre todos os personagens tão bem descritas, por me ter elucidado acerca de como se vivia, por revelar todo o seu percurso, por se ter arriscado a contar a história de um primo do qual pouco se lembrava e, sobretudo, por o ter libertado.

 

O que é que não me faz dar 5 estrelas a este livro? Neste caso tenho uma resposta muito objectiva, o que nem sempre é o caso. As descrições de Angola - por vezes feitas em forma de diálogo - são, na minha opinião, demasiado extensas, confesso que me aborreceram. Entendo que eram necessárias para contextualizar as personagens mas achei-as excessivas. As paragens que fiz na leitura foram apenas nestes momentos. Não há a menor dúvida de que estamos perante um grande escritor.

 

Em baixo transcrevo uma passagem fantástica em que o autor se refere à sua ligação com o pai.

 

"E a quem é que ele poderia dizer isto se não ao seu único filho homem, aquele que o poderia ter rejeitado, o único que, depois de tudo, ainda estava lá para o ouvir? Quem lhe aceitaria palavras tão secas se não precisasse tanto de as ouvir, de lhe beber a voz, a dureza, a secura e todo esse enorme amor errante, em trânsito, fustigado, corrido, escorraçado e tão, mas tão vivo e feio e árido e fecundo e podre e belo?"

 

Minha pontuação no Goodreads: 4*

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