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Holly Reader

Opiniões literárias, leituras programadas, desafios, devaneios, TAG's, novidades editoriais, eventos, encontros. Aviso: pode criar dependência a livros :)

Holly Reader

09 de Maio, 2017

O deslumbre de Cecilia Fluss | João Tordo

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A família está reunida. E é bonita. 

 

A trilogia chegou ao fim e eu cheguei ao fim dela. Com "O deslumbre de Cecilia Fluss", e à medida que o ia lendo, os círculos iam-se fechando e, no entanto, fico com a sensação que o autor podia continuar a escrever esta trilogia para sempre porque, na verdade, nada acaba. A busca não tem fim e a luta continua. Há lições importantes para todos os personagens (e também para o leitor). O livro é uma jornada impressionante e só mesmo um grande escritor para fazer com que todos os pontos se encontrem e, ainda por cima, de forma sublime. De uma forma muito geral fala-se de adolescência, amizade, amor, perda, medo, solidão e demência. Mas isso são apenas os meios de transporte utilizados para falar da vida e da condição humana - de que é que somos feitos? O que é que nos magoa (e porquê)? O que é que procuramos? E portanto é um convite à auto-análise, ao sentido das coisas, ao sofrimento que nunca parece terminar. 

 

Escuso-me a falar da história porque acho que as sinopses, por vezes, acabam por diminuir um livro e este é grande, mesmo grande. Não consigo apontar nada de mau, ou sequer menos bom, o livro é brilhante. Partilhei o sofrimento com o Matias, a solidão com o Elias, a insatisfação com a Cecilia e um pouco de loucura com todos eles. 

 

Vale muito a pena ler esta trilogia, desconfio que não haja nada tão verdadeiro como ela.

 

Precisamos, como disse um poeta, de ter paciência com tudo o que está por resolver nos nossos corações, de tentar amar as perguntas como se fossem livros escritos numa língua desconhecida, abraçar a inquietação como o território onde a nossa vida se desmultiplicará para, um dia, se unir em torno de uma resposta, à semelhança de uma família novamente reunida.

 

Minha pontuação no Goodreads: 5*

01 de Maio, 2017

Da mão para a boca | Paul Auster

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Este foi um dos livros que trouxe para casa graças à troca de livros que fizemos no 1º Encontro dos Clássicos Vivos. Tinha-o planeado como uma das leituras para o mês de maio mas peguei-lhe para começar devagarinho há dois dias atrás de acabei por o terminar quase sem me aperceber. Nunca tinha lido nada de Paul Auster (apesar de ter mais um livro dele na minha estante) mas estava bastante entusiasmada para o começar, este livro é autobiográfico e fala da juventude do escritor, com temas desde a relação com os pais até à descoberta da escrita como a actividade que mais lhe dava prazer fazer. Foi cedo que descobriu a escrita e tendo grandes ideais e objectivos na sua cabeça (não pela sua grandeza mas sim pela sua convição) o caminho nem sempre foi fácil (como seria de esperar). Contudo, conseguiu sempre manter-se focado naquilo que queria mostrando empenho e dedicação em tudo o que fazia. A citação que se encontra na contracapa do livro (e que transcrevo em baixo) é espectacular e mostra de que matéria é feito o autor. Gostei muito de o conhecer melhor e foi tão reconfortante ver os meus próprios pensamentos espelhados nestas páginas. 

"Desde que me conhecia, a minha ambição sempre tinha sido escrever. Aos dezasseis ou dezassete anos já sabia que assim era e nunca me iludira pensando que poderia ganhar dinheiro com isso. Tornar-se escritor não é 'decidir sobre uma carreira' como quem decide tornar-se médico ou polícia. Mais do que escolhê-la, somos escolhidos, e uma vez aceite o facto de que não somos aptos para mais nada, temos de estar preparados para percorrer uma longa e árdua estrada durante o resto dos nossos dias."

 

Minha pontuação no Goodreads: 4*

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