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Holly Reader

Opiniões literárias, leituras programadas, desafios, devaneios, TAG's, novidades editoriais, eventos, encontros. Aviso: pode criar dependência a livros :)

Flores | Afonso Cruz

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Este livro provocou-me um misto de sensações. Começei por adorá-lo logo nas primeiras páginas mas não consegui manter esse sentimento até ao final no livro, o que me deixa com um sabor agridoce.

 

Afonso Cruz tem um ritmo de escrita acelerado, utilizando um vocabulário simples e não esquecendo a música de fundo. Troca de personagem e de história sem medo de se perder "atirando-se de cabeça à escrita". Através de uma das personagens, o Sr. Ulme, consegue apontar magistralmente as falhas e defeitos humanos. Adorei esta personagem, por ser tão real e querida ao mesmo tempo.

 

No entanto, e na minha opinião, algumas das passagens do livro são repetitivas e confusas. Os sentimentos do personagem principal não são muito desenvolvidos, simplesmente aparecem numa frase ou parágrafo poético. Não sinto a sua evolução ao longo do livro e falta-lhe alma (poderá, no entanto, ser esse o intuito do autor). O final não me trouxe as respostas que eu procurava para os personagens e fiquei com a sensação que poderia ter sido muito melhor. 

 

Isto não invalida a mensagem do livro que me tocou, há flores por todo o lado. Por vezes, temos que abrir bem os olhos para as ver. Outras, temos que as plantar e cuidar para que prosperem.

 

Há uma passagem do livro em que o personagem principal descreve uma indisposição, sente-se mesmo enjoado e agoniado, descrevendo ao mesmo tempo alguns acontecimentos que o fazem sentir assim. Eu senti-me genuinamente enjoada tal como o personagem. E isso é, sem dúvida, notável.

 

Lembro-me do tempo em que os meus dedos eram flores antigas, que despontavam apenas quando tocavam a tua pele. Mas e agora, Clarisse, para onde foram esses meses de Primavera que faziam a nossa vida florir? Levanto o coração, como se faz a um tapete, para ver se não há nada debaixo dele.

 

Minha pontuação no Goodreads: 3*

BookTag | By the Book

A convite da Alexandra do Blog Gira-Livros, o qual agradeço, vou responder em baixo à Tag By The Book.

 

1. Qual o livro que está na tua cabeceira? 

"O Pintassilgo" de Donna Tartt, é o meu livro "antes de ir dormir".

 

2. Qual foi o último livro realmente bom que leste? 

Ultimamente tenho tido a sorte de encontrar livros realmente bons (também por recomendações de outras pessoas e bloggers literárias). Vou escolher um de um autor português, e outro de uma autora estrangeira, ambos já com as opiniões publicadas no blog. "O Luto de Elias Gro" de João Tordo pela tristeza que consegue retratar tão bem e "A Vegetariana" de Han Kang pela estranheza que se agarra a nós.

 

3. Se pudesses encontrar qualquer escritor, vivo ou morto, quem seria? O que lhe perguntarias? 

Fernando Pessoa. Desde que conheçi a sua escrita na secundária que o mundo nunca mais foi o mesmo. Por tudo, por abordar de uma forma tão real e ao mesmo tempo poética a essência humana e os fantasmas que habitam a sua mente. Identifico-me muito com alguns dos seus poemas. E também por continuar a ser uma enorme inspiração para tantas pessoas.

Perguntaria-lhe como se sente (penso que escreveria mais um belissímo poema) e diria-lhe que aquilo que escreveu, talvez na altura banalizado e desprezado, é uma das obras mais importantes de todo o mundo.

 

4. Qual livro ficaríamos surpresos de encontrar na tua estante? 

O livro "Sei lá" da Margarida Rebelo Pinto. Apenas por não se enquadrar nos géneros que costumo ler. Na altura comprei porque me pareceu apelativo. Não gostei muito na altura mas continua na estante. Fez parte das minhas leituras e não deve ser ignorado.

 

5. Como organizas a tua biblioteca pessoal? 

Não tem ordem nenhuma. Coloco-os conforme me chegam à mão. Por vezes pego num para reler alguma parte e quando o volto a colocar já não vai para o mesmo sítio. 

 

6. Que livro já "deverias ter lido"? 

Tenho "em espera" os grandes clássicos, não li grande parte deles. Estou especialmente ansiosa por "Persuasão" de Jane Austen e "O Monte dos Vendavais" de Emily Bronte.

 

7. Um livro que te desapontou e que é sobrevalorizado / Um livro que todos dizem ser a tua cara, mas que não gostaste / Último livro abandonado. 

Desapontou-me muito o "Cem Anos de Solidão" de Gabriel García Márquez, só consegui chegar às 100 páginas e pareceu-me um tédio de morte. Vou, no entanto, voltar a tentar.

Não tenho nenhum que tenham dito que é a minha cara e que não tenha gostado. Costumam acertar!

Último livro abandonado foi o "J" de Howard Jacobson, por não me prender acabou por ficar esquecido na mesinha de cabeçeira. Irei, no entanto, terminá-lo.

 

8. Que tipo de histórias chamam a tua atenção? De que tipo de histórias manténs a distância? 

Gosto de histórias que envolvam mistério. Que tenham um toque dark. Gosto também muito de policiais que me deixem em suspense até ao fim. Normalmente, não gosto de fantasia. Tendo já lido, no entanto, algumas excepções que gostei muito. Creio que não se deve generalizar.

 

9. Se pudesses indicar um livro para o Presidente, qual seria? 

Sugeria-lhe "A Vegetariana", apenas por achar que seria um livro que sai do género que costuma ler e que o iria supreender.

 

10. Que livros pretendes ler em breve? 

Dentro do Desafio #lerosnossos e #lersaramago da Claúdia do Blog A Mulher que Ama Livros, pretendo ler "Uma Casa na Escuridão" de José Luís Peixoto, "A Gorda" de Isabela Figueiredo e mais um de Saramago que ainda estou a tentar decidir.

 

Obrigada pelo desafio!

Nomeio a Babi do Blog A Estante da Babi e a Viciada dos Livros.

Segredos Obscuros | Hjorth & Rosenfeldt 

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Este é o melhor livro policial que eu alguma vez li. 

 

Com um personagem principal do mais complexo, insensível e inesperado que já vi. E com um crime brutal cheio de dúvidas, mudanças de opinião e pistas que levam no caminho errado

 

A investigação do crime começa e Sebastian (uma das personagens principais) junta-se a ela. Enquanto esta decorre, Sebastian tem que apreender a lidar com as fatalidades que aconteceram ao longo da sua vida, fazendo dele aquilo que é hoje. 

 

Um livro de cortar o fôlego com um final espectacular. 

 

À superfície, a solução era perfeita. Mas não era a superfície que interessava a Sebastian. Ele procurava sempre encontrar a ligação subjacente. As respostas límpidas. Quando tudo o que já sabia se encaixava perfeitamente. 

 

Pontuação no Goodreads: 4*

Homens imprudentemente poéticos | Valter Hugo Mãe

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Terminei de ler este livro ontem e obriguei-me a dormir sobre os pensamentos que o livro despertou. Não posso, no entanto, dizer que hoje estou menos afectada que ontem.

 

Este foi o primeiro livro que li do autor, do qual já tinha ouvido falar. Após ler uma entrevista que o autor deu ao DN no verão deste ano, entreguei-lhe a minha total atenção. Eis porquê: durante a entrevista, quando lhe perguntam porque não gosta da vida dos festivais literários, responde, entre outras coisas: "...eu acho que se um escritor não usa a voz para dizer alguma coisa de jeito, fica ali apenas para adocicar o chazinho, mais vale não participar...".

Concordei mentalmente e completamente com o autor, sentindo que tudo o que tinha sido dito na entrevista tinha bastante jeito, falando sempre com uma elegância profunda que eu nunca tinha conheçido. 

 

Valter Hugo Mãe tem uma linguagem própria inventada nos confins da sua mente e coração. Linguagem essa que atribui ainda mais sentido ao livro. Escreve leve e poeticamente, complexo mas com uma mensagem simples. Descobrir as suas palavras é uma viagem alucinante que nos percorre a alma e acaba no nosso final.

Se fosse possível concretizar numa palavra seria: lindo. Pela beleza e perfeição.

 

No final, fico com a certeza do bom que é ser imprudentemente poético. Ultrapassar o que nos afasta, com todas as diferenças contidas em nós, e encontrar o que nos aproxima. Fazermo-nos melhores, depois de todas as desgraças individuais, alimentarmo-nos delas como força para o que ainda está para vir e que será, seguramente, poético.

 

Por último, o facto do autor ter excluído a palavra "não" da história, e tendo eu consciência disso antes de o ler, fez-me admirá-lo ainda mais pela obrigação a que se propôs e por tão natural resultado.

 

Itaro, se pudesse, gostaria de o ver morto. Depois, pensava, se pudesse, gostaria de o matar. Por seu lado, Saburo, sentimental, pensava que, se pudesse, gostaria de matar o artesão. Depois, ponderava e pensava que gostaria de o ver morto.

 

Este livro inclui-se também dentro do Desafio #lerosnossos, onde incentivamos a leitura de autores portugueses.

 

Minha pontuação no Goodreads: 4*

 

Deste Mundo e do Outro | José Saramago

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(Por onde começar?)

 

Este foi o meu primeiro livro de Saramago (exceptuando o "Memorial do Convento" do qual pouco ou nada me recordo).

Escolhi-o dentro do Desafio #lerosnossos e #lersaramago.

 

Neste livro, Saramago escreve tão bem acerca das emoções humanas que fere com tanta verdade.

 Escreve como quem fala, quase ouvia a voz dele a falar comigo. Como se estivesse ao meu lado e dentro da minha cabeça.

 

Este é um livro de crónicas, mas mais do que isso, é um livro sobre os seus pensamentos e opiniões. Traça grandes críticas ao comportamento humano, incluíndo a ele próprio.

 

Escreve para o leitor com grande à vontade e simpatia. Tem humor e sabedoria. Ao longo das crónicas, fui ganhando maior confiança e afinidade com Saramago. E é uma grande companhia para se ter.

 

Ler este livro é todo um exercício mental de avaliação e julgamento à espécie humana.

 

No final, o que fica?

 

Que grande homem e escritor. 

Em cada crónica ficou uma ponta de lágrima ou um sorriso meu. E sempre um arrepio.

 

Não vou atribruir um 4* ao livro apenas por me faltar continuidade que nas crónicas não se consegue ter, e a qual aprecio. Faltou-me fechar o círculo. Vou fazê-lo num próximo livro de Saramago, muito em breve.

 

O mundo dos homens vai acabar. Talvez acabe mesmo. E se os animais vierem a endoidecer de cólera e desencadearem esta guerra (em 2968, por exemplo), as menos o último homem, coberto de formigas que o estralhaçam, ainda poderá pensar que morre a lutar pela humanidade. Não contra a humanidade...E será a primeira vez que tal acontece.

 

Minha pontuação Goodreads: 3*

 

Lançamento do livro "A Gorda" de Isabela Figueiredo

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Ontem estive no lançamento do livro "A Gorda" de Isabela Figueiredo na Pensão Amor.

 

A autora falou um pouco das motivações que a levaram a escrever este livro - parcialmente baseado na sua experiência de vida e que depois extrapolou para o campo da fição.

 

Com este livro pretende que as pessoas, especialmente as mulheres, aceitem o seu corpo e gostem de si. Uma mensagem simples mas cheia de força.

 

No livro a autora fala da vida de Maria Luísa, a personagem principal, passando por várias divisões da casa que têm a si associadas uma experiência (e os sentimentos que dela decorrem).

 

Esta será mais uma das minhas leituras dentro do Desafio #lerosnossos do blog A Mulher que Ama Livros.

 

Quando iniciar a leitura, publicarei aqui novidades acerca dela.

Quem me quiser acompanhar, basta comentar.

  

A Sombra do Vento | Carlos Ruiz Zafón

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Este livro tem todos os ingredientes: intriga, amor, suspense e uma história que para além de original, é supreendente.

 

Como se não bastasse, tem personages apaixonantes. Foi muito fácil afeiçoar-me ao personagem principal, o Daniel, de tal forma que senti todas as suas emoções como minhas.

 

Não querendo desvendar muito, vou apenas dizer que a ação se passa em Barcelona e tudo começa numa manhã em que um pai leva o seu filho ao "Cemitério dos Livros Esquecidos".

 

O autor tem uma escrita irrepreensível. Transportou-me para a ação logo na primeira página e quando cheguei à última, não queria que acabasse.

 

Ao chegar ao centro da praça ouvi o rumor dos sinos da catedral a repicar a meia-noite. Detive-me um instante, varado num oceano de aves prateadas, e pensei que aquele tinha sido o dia mais estranho e mais maravilhoso da minha vida.

 

Minha pontuação Goodreads: 4* 

 

 

O Luto de Elias Gro | João Tordo

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Li este livro dentro do Desafio #Lerosnossos e foi uma óptima escolha.

 

Este livro retrata, entre outras coisas, a morte e o renascer da alma de um homem que não acredita em nenhum tipo de salvação ou retorno.

A escrita do autor está carregada de emoção e é bela. Dá-nos a conhecer personagens que roçam o fantástico mas que acreditamos que são reais por estarem muito bem construídas e rodeadas de detalhes.

 

Adoro a forma como o autor escreveu os diálogos. Sem travessões nem complicações. Discursos muito directos, quase rudes (também devido à personalidade das personagens).

 

Foi o meu primeiro livro do autor e com certeza não será o último. Existem mais dois livros que completam esta trilogia. Gostei muito.

 

O reverso de uma incomensurável perda é a consciência dessa perda. E a consciência chega através da dor. A dor não costuma mentir; nesse sentido, é o que mais importa. Sem ela, passaríamos do sofrimento momentâneo ao esquecimento.

 

Minha pontuação Goodreads: 4*