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Holly Reader

Opiniões literárias, leituras programadas, desafios, devaneios, TAG's, novidades editoriais, eventos, encontros. Aviso: pode criar dependência a livros :)

Holly Reader

30 de Novembro, 2016

As Intermitências da Morte | José Saramago

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Foi o meu primeiro romance de Saramago e parece-me que começei muito bem. Não sei se acontece o mesmo com todos os livros de Saramago mas, este em específico, é de uma imaginação, consistência e sentido de humor fora de série.

 

Saramago adivinha os pensamentos do leitor, esclarece dúvidas e questões sem perder o fio apelativo da narrativa. É como se estivesse sentado ao meu lado a contar-me a história mais banal do mundo, só que esta história não tem nada de banal, é original e profunda.

 

Apesar de à primeira vista parecer uma escrita densa, é bastante fácil de ler e compreender. O autor apresenta um humor irónico que me deixou rendida, as gargalhadas são uma constante desta leitura. E que bem que critica, tudo e todos, pelo sim e pelo não, porque a raça humana é falível, cheia de erros e contrariedades que ele conhece e explica esplendorosamente.

 

Gostei muito deste livro, no final, Saramago consegue ainda mostrar um lado mais romântico. E que belo final que é.

 

É assim a vida, vai dando com uma mão até que chega o dia em que tira tudo com a outra.

 

Minha pontuação Goodreads: 4*

 

26 de Novembro, 2016

Se eu fosse um livro...

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Respondo a este desafio proposto pelo Blog Say Hello To My Books que desde já agradeço, foi muito divertido fazer esta pergunta a mim própria.

 

Se eu fosse um livro teria capa mole acompanhada de desenhos com relevo a preto e branco. Teria menos de 200 páginas, tipo de letra o mais aproximado da nossa caligrafia e páginas amareladas com aquele cheirinho a novo. Teria uma fita vermelha de seda para marcar a página dos caríssimos leitores que deixariam sublinhados e comentários nas páginas. Teria prefácio do Miguel Sousa Tavares e seria uma edição da Quetzal. Passaria de geração em geração e seria intemporal. Teria mistério, romance e um lado negro com rasgos de luz. Teria personagens controversas que dizem tudo o que querem, teria personagens com um bom coração e homens que sofrem por amor. Gostaria que me emprestassem, mas que me deixassem regressar a casa. Gostaria que me recomendassem noutros países e que trouxesse atenção para todos os maravilhosos autores portugueses. Teria capítulos curtos, discurso fluído e aparentemente simples, com sentidos ocultos que apenas os sensíveis conseguiriam descortinar. Se eu fosse um livro teria uma dedicação na primeira página para todos os que perseguem os seus sonhos. Teria um final inesperado que fizesse uma parte de nós refletir e querer ser melhor.

 

23 de Novembro, 2016

Novidades


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Ao passar pela livraria Campo Grande 111 (não tenho a certeza se é este o nome, sendo que é também a morada) e vendo alguns títulos que me chamaram a atenção na montra, resolvi entrar e foi impossível sair de mãos vazias.

 

A livraria está com excelentes promoções em literatura portuguesa e estrangeira. Comprei o "Caim" e o "Robinson Crusoe" com desconto de 60/70%. O "Som e a Fúria" comprei com desconto de 30% na Bertrand que está com desconto para autores de Prémio Nobel.

 

Quem consegue resistir?

 

21 de Novembro, 2016

A Gorda | Isabela Figueiredo

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Este é o primeiro romance da autora, chamou-me a atenção pelo título e pela sinopse. Apesar de, aparentemente, ser uma história comum, torna-se incomum pela força da sua personagem principal, a Maria Luísa, que partilha com o leitor as suas vivências e pensamentos.

 

Maria Luísa tem muita força, avança desfazendo o que lhe aparece, escolhendo o que lhe interessa e amaldiçoando o que lhe causa peso. Sempre com a consciência do seu peso físico muito viva, e apesar de ter momentos de fraqueza e dor, é uma lutadora, não tendo muito tempo para martirizações. Avança então novamente, cada vez mais forte, cada vez mais obstinada. Não esquece, no entanto, o seu único e grande amor, que a acompanha em pensamento ao longo dos anos.

 

Esta é a história de uma mulher que apenas posso desejar um dia ser. Uma mulher que é um rochedo, desabando pequenos pedaços, mas nunca desistindo. Sempre com a certeza da vida que ainda lhe falta viver e que há-de chegar.

 

Agradeço à autora pela partilha desta história inspiradora. A sua escrita é sem vergonha, pura e crua. Adorei. 

 

Recomendo esta leitura a todas as pessoas mas em especial às mulheres, que tantas vezes se põem em último da lista e minimizam as suas vitórias por as julgarem sem importância. 

 

Tirando a arte, as rosas, o mar, o gato vadio que não tem uma pata, os ouriço-cacheiros clandestinos que aparecem à noite no baldio em frente, os pombos que pousam aos nossos pés pedindo restos de pão velho, que interesse tem a vida? Tirando a fantasia que nos arranca à escuridão parada dos dias sucedendo-se indistintamente, o que vale o tempo que nos foi dado ou que viemos procurar?

 

Minha pontuação no Goodreads: 3*

 

19 de Novembro, 2016

Uma Casa na Escuridão | José Luís Peixoto

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Terminei o meu primeiro livro de José Luís Peixoto ontem. A verdade é que as expectativas eram altas, afinal é um dos autores com maior destaque na literatura portuguesa contemporânea.

 

Nesta história mistura-se o real com o imaginário. Podendo toda ela não passar de um sonho ou da vida depois da morte. Não ficou claro para mim. As incongruências criadas propositadamente pelo autor faz com que não se perceba também em que tempo se passa a história. Tudo começa quando um rapaz escritor imagina dentro de si o que lhe parece ser a mulher mais bonita do mundo e daí se desenrola toda a história. Descrição de onde vive, com quem vive e em grande parte, o que sente por essa mulher que vive dentro de si.

 

Tenho que ser sincera, eu não percebi o intuito do autor, não percebi claramente a mensagem que queria passar com o livro. Tudo me pareceu extremamente aborrecido, tanto a escrita como as próprias personagens. Repetição de sentimentos, palavras e passagens até à exaustão. Eu já não aguentava mais, só queria que o livro acabasse. 

 

Custou-me imenso terminá-lo, estive quase a desistir. Houve momentos em que me senti enlouquecer pela espiral de lengalengas que dizem o mesmo e não me dizem nada. Talvez, afinal, fosse esse o objectivo do autor. Vai ser difícil recuperar deste livro e ler outro do autor.

 

Disse-lhe hoje sei que és absolutamente minha, porque te escrevo, porque te vejo, porque estás dentro de mim, e essa distância insuperável é um passo pequeno que dou sem sentir.

 

Minha pontuação no Goodreads: 2*

 

17 de Novembro, 2016

Próximas leituras

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Obrigada Quetzal Editores.

 

Este lindo livro "Seda" de Alessandro Baricco será uma das próximas leituras após o Desafio #lerosnossos.

 

Deixo-vos aqui a sinopse.

 

Hervé Joucour, um comerciante de seda, vê-se obrigado a fazer uma viagem ao Japão depois de uma epidemia ter dizimado todos os bichos-da-seda provenientes de África. Chegado a esse país distante e desconhecido, muito fechado a viajantes ou qualquer influência ocidental, Joncour é acolhido no palácio do nobre Hara Kei, que se faz sempre acompanhar por uma rapariga. Entre Joucour e a jovem concubina vai surgir um amor. E é este envolvimento secreto, que se desenrola - quase sem palavras - ao longo de subsequentes viagens ao Japão, que é relatado neste livro: uma pequena narrativa, essencial e delicada como a mais fina seda.

 

Quem já conhece o autor ou já leu este livro?

 

 

15 de Novembro, 2016

Flores | Afonso Cruz

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Este livro provocou-me um misto de sensações. Começei por adorá-lo logo nas primeiras páginas mas não consegui manter esse sentimento até ao final no livro, o que me deixa com um sabor agridoce.

 

Afonso Cruz tem um ritmo de escrita acelerado, utilizando um vocabulário simples e não esquecendo a música de fundo. Troca de personagem e de história sem medo de se perder "atirando-se de cabeça à escrita". Através de uma das personagens, o Sr. Ulme, consegue apontar magistralmente as falhas e defeitos humanos. Adorei esta personagem, por ser tão real e querida ao mesmo tempo.

 

No entanto, e na minha opinião, algumas das passagens do livro são repetitivas e confusas. Os sentimentos do personagem principal não são muito desenvolvidos, simplesmente aparecem numa frase ou parágrafo poético. Não sinto a sua evolução ao longo do livro e falta-lhe alma (poderá, no entanto, ser esse o intuito do autor). O final não me trouxe as respostas que eu procurava para os personagens e fiquei com a sensação que poderia ter sido muito melhor. 

 

Isto não invalida a mensagem do livro que me tocou, há flores por todo o lado. Por vezes, temos que abrir bem os olhos para as ver. Outras, temos que as plantar e cuidar para que prosperem.

 

Há uma passagem do livro em que o personagem principal descreve uma indisposição, sente-se mesmo enjoado e agoniado, descrevendo ao mesmo tempo alguns acontecimentos que o fazem sentir assim. Eu senti-me genuinamente enjoada tal como o personagem. E isso é, sem dúvida, notável.

 

Lembro-me do tempo em que os meus dedos eram flores antigas, que despontavam apenas quando tocavam a tua pele. Mas e agora, Clarisse, para onde foram esses meses de Primavera que faziam a nossa vida florir? Levanto o coração, como se faz a um tapete, para ver se não há nada debaixo dele.

 

Minha pontuação no Goodreads: 3*

15 de Novembro, 2016

BookTag | By the Book

A convite da Alexandra do Blog Gira-Livros, o qual agradeço, vou responder em baixo à Tag By The Book.

 

1. Qual o livro que está na tua cabeceira? 

"O Pintassilgo" de Donna Tartt, é o meu livro "antes de ir dormir".

 

2. Qual foi o último livro realmente bom que leste? 

Ultimamente tenho tido a sorte de encontrar livros realmente bons (também por recomendações de outras pessoas e bloggers literárias). Vou escolher um de um autor português, e outro de uma autora estrangeira, ambos já com as opiniões publicadas no blog. "O Luto de Elias Gro" de João Tordo pela tristeza que consegue retratar tão bem e "A Vegetariana" de Han Kang pela estranheza que se agarra a nós.

 

3. Se pudesses encontrar qualquer escritor, vivo ou morto, quem seria? O que lhe perguntarias? 

Fernando Pessoa. Desde que conheçi a sua escrita na secundária que o mundo nunca mais foi o mesmo. Por tudo, por abordar de uma forma tão real e ao mesmo tempo poética a essência humana e os fantasmas que habitam a sua mente. Identifico-me muito com alguns dos seus poemas. E também por continuar a ser uma enorme inspiração para tantas pessoas.

Perguntaria-lhe como se sente (penso que escreveria mais um belissímo poema) e diria-lhe que aquilo que escreveu, talvez na altura banalizado e desprezado, é uma das obras mais importantes de todo o mundo.

 

4. Qual livro ficaríamos surpresos de encontrar na tua estante? 

O livro "Sei lá" da Margarida Rebelo Pinto. Apenas por não se enquadrar nos géneros que costumo ler. Na altura comprei porque me pareceu apelativo. Não gostei muito na altura mas continua na estante. Fez parte das minhas leituras e não deve ser ignorado.

 

5. Como organizas a tua biblioteca pessoal? 

Não tem ordem nenhuma. Coloco-os conforme me chegam à mão. Por vezes pego num para reler alguma parte e quando o volto a colocar já não vai para o mesmo sítio. 

 

6. Que livro já "deverias ter lido"? 

Tenho "em espera" os grandes clássicos, não li grande parte deles. Estou especialmente ansiosa por "Persuasão" de Jane Austen e "O Monte dos Vendavais" de Emily Bronte.

 

7. Um livro que te desapontou e que é sobrevalorizado / Um livro que todos dizem ser a tua cara, mas que não gostaste / Último livro abandonado. 

Desapontou-me muito o "Cem Anos de Solidão" de Gabriel García Márquez, só consegui chegar às 100 páginas e pareceu-me um tédio de morte. Vou, no entanto, voltar a tentar.

Não tenho nenhum que tenham dito que é a minha cara e que não tenha gostado. Costumam acertar!

Último livro abandonado foi o "J" de Howard Jacobson, por não me prender acabou por ficar esquecido na mesinha de cabeçeira. Irei, no entanto, terminá-lo.

 

8. Que tipo de histórias chamam a tua atenção? De que tipo de histórias manténs a distância? 

Gosto de histórias que envolvam mistério. Que tenham um toque dark. Gosto também muito de policiais que me deixem em suspense até ao fim. Normalmente, não gosto de fantasia. Tendo já lido, no entanto, algumas excepções que gostei muito. Creio que não se deve generalizar.

 

9. Se pudesses indicar um livro para o Presidente, qual seria? 

Sugeria-lhe "A Vegetariana", apenas por achar que seria um livro que sai do género que costuma ler e que o iria supreender.

 

10. Que livros pretendes ler em breve? 

Dentro do Desafio #lerosnossos e #lersaramago da Claúdia do Blog A Mulher que Ama Livros, pretendo ler "Uma Casa na Escuridão" de José Luís Peixoto, "A Gorda" de Isabela Figueiredo e mais um de Saramago que ainda estou a tentar decidir.

 

Obrigada pelo desafio!

Nomeio a Babi do Blog A Estante da Babi e a Viciada dos Livros.

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