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Holly Reader

Confissões de uma bookaholic.

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Confissões de uma bookaholic.

Morreste-me | José Luís Peixoto

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Este livro "deu cabo de mim". Penso que é assim que melhor explico. Ao longo do livro José Luís Peixoto conta-nos a história da morte do pai. Mais do que isso: conta-nos o que ficou. Neste caso o que ficou é algo maior do que aquilo que existia: o vazio maior do que a presença, a dor chacina a alegria dos momentos passados, os sítios têm sempre algo a dizer.

 

Este livro é como uma carta, que também pode ser um testemunho, é a prova indelével do que se passa a carregar depois da perda de um pai.

 

Aqui é tudo contado sem freios ou filtros, talvez por isso atinja a parte mais macia do coração. Este é também um livro difícil. Não há pausas para descansar da dor, não há remédio que atenue a força dos pensamentos. Talvez se a memória não existisse fosse possível continuar a viver livremente. Depois da morte as ruas falam. 

 

Li este livro num sítio público e não consegui evitar chorar (muitas vezes). É pesado. Vale a pena pelo retrato fiel da ausência. No final fica aquele arrepio por as palavras escolhidas serem as certas.

 

Não há dúvidas, 5 estrelas bem brilhantes.

O rosto de Deus | Ana Teresa Pereira

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Ainda estou atordoada com esta leitura. Não conhecia a escritora nem nunca tinha ouvido falar, trouxe este livro por recomendação. Ao pesquisar um pouco mais sobre ela descobri que é muito reservada, mesmo nas suas raras aparições públicas para receber os prémios que já ganhou. Talvez por isso fosse para mim desconhecida. 

 

Não tenho a certeza de ter entendido completamente o livro mas adorei a experiência de leitura - desde o desconforto, passando pelo humor, terminando meia assustada. Sim, é possível. A autora vai jogando com as emoções do leitor como bem entende e nós só conseguimos segui-la. Queremos saber o que vem a seguir ou porque não ficamos satisfeitos com a explicação ou porque ficamos intrigados com a confusão das descrições. Uma das personagens principais - Tom - tem tudo a girar à sua volta sem nunca sabermos o que vai na sua cabeça, mesmo os diálogos com ele são bastante raros e, no entanto, creio nunca ter conhecido uma personagem tão intrigante quanto esta. A impressão que temos dele é apenas a que nos é dada pelos outros personagens. Impressões vagas e ao mesmo tempo potentes.

 

Ao início pareceu-me que a autora estava a escrever poesia em prosa tal é o requinte e douçura da sua escrita. No entanto, também consegue semear o medo e ser implacável. Esta dualidade (que emprega sem esforço) dá muita profundidade ao livro. 

 

O livro está dividido em duas partes para nos dar a conhecer duas perspectivas. Gostei especialmente do mistério que paira no ar e que fica sempre por esclarecer (caso contrário não seria mistério). Penso que este livro trata do poder que os outros podem ter sobre nós e sobre esta vontade tão humana que temos ao pensar que o amor nos funde num só, mas talvez me tenha passado ao lado a mensagem mais importante.

 

Para mim "O rosto de Deus" é a ofuscação do amor

 

Fiquei muito impressionada com a autora, vou querer ler mais.

 

Minha pontuação no Goodreads: 3,5 (se fosse possível)

Debaixo da Pele | David Machado

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No início não me rendi a este livro. A primeira parte deixou-me insatisfeita, esperava mais dor, mais raiva. Assim que iniciei a segunda parte pensei "agora é que é" e assim foi até ao final. Vale a pena continuar a descobrir este autor. A escrita é simples e ritmada. Há qualquer coisa nas palavras e na forma de escrever que não nos deixa respirar, somos obrigados a continuar. Adorei mergulhar na pele do narrador na segunda parte e descobrir os medos de Manuel na última parte. Na primeira parte conhecemos Júlia, a peça que liga todas as histórias, mas não consegui criar relação com ela.

 

Há reflexões importantes ao longo de todo o livro e apercebemo-nos que mais importante do que os actos são as consequências deles (muitas vezes irreversíveis) que afectam de forma tão forte as pessoas com que nos relacionamos. É essencial "fazer as pazes" com os traumas do passado caso contrário estaremos sempre a repeti-lo. O que mais me fica da mensagem deste livro: ..."como se, na verdade, tudo o que aconteceu nunca parasse de acontecer." O título não poderia estar mais adequado.

 

Continua a existir o realismo na escrita de David Machado, uma presença tão forte do autor em cada palavra e cada movimento dos personagens que é impossível não acreditar. O conhecimento profundo da mente de um adolescente, todas as perguntas que fervilham nas suas cabeças, os comportamentos descabidos, a influência dos adultos, tudo isso está retratado aqui. 

 

Recomendo muito. Leiam sem saber nada.

 

Minha pontuação no Goodreads: 4*

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