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Holly Reader

Confissões de uma bookaholic.

Holly Reader

Confissões de uma bookaholic.

Rebeca | Daphne du Maurier

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Livro maravilhoso. Finalmente tirei-o da minha estante (nesta edição velhinha mas linda) e sei que vai ficar marcado na minha memória para sempre. Tem um magnetismo impressionante, queria ler sempre mais, era difícil deixá-lo e dava por mim a pensar nele durante o dia. Adorei a construção dos personagens e as enormes diferenças entre eles. 

 

Mr. e Mrs. de Winter são uma dupla imbatível com todas as suas dúvidas e receios, vejo-os com enorme clareza. O que dizer do poder arrebatador que Mr. de Winter exerce sobre a jovem mulher desde o primeiro minuto? Indescritível. Emocionei-me em algumas das partes, consegui perceber perfeitamente de onde vinha esta jovem mulher e o assombramento que as questões da sua própria mente lhe causavam. 

 

Obscura. Sempre na iminência do abismo. Cola-se a nós de forma absoluta.Não hesitem em conhecer esta história. Nada do que revelo atrapalha a surpresa da sua leitura. 

 

Partilho também vídeo completo de opinião:

 

Rostos na multidão | Valeria Luiselli

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Ainda estou intrigada com a leitura deste livro. Começou muito bem, de forma confusa é certo mas conseguiu (talvez por isso) captar a minha atenção. Começamos por acompanhar uma mulher que nos fala de dois períodos distintos da sua vida. No presente é apresentada a normalidade, o passar dos dias sem nada a assinalar. No passado somos confrontados com a peculiaridade dos personagens. 

 

Esta mulher - no passado - ficou obcecada pela obra de um poeta dos anos vinte chamado Owen e faz de tudo para convencer o seu chefe (director de uma pequena editora) a publicá-lo. A certo ponto Owen torna-se no personagem principal desta história - tanto ao assombrar esta mulher no metro quanto a contar-nos a sua versão da história. 

 

Ainda antes de chegar a meio do livro dei por mim meia aborrecida, limitando-me a contemplar ao longe estas assombrações e vidas febris. Nas páginas finais percebi finalmente o que estava a acontecer (uma ideia original e desconcertante, há que dizer). As vidas dos personagens desdobram-se e aproximam-se como duas folhas demasiado finas para subsistirem sozinhas. Foi só aqui que senti alguma magia.

 

"As pessoas morrem, deixam irresponsavelmente um fantasma de si próprias por aí, e depois continuam a viver, original e fantasma, cada um por sua conta."

Fábrica de melancolias suportáveis | Raquel Gaspar Silva

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Foi com grande alegria que encontrei nas livrarias este romance de uma autora portuguesa estreante. Esta edição da Elsinore é simplesmente linda, dá gosto pegar neste livro. Claro que tinha que o trazer aqui para casa.

 

Assim que pousamos os olhos nas primeiras linhas percebemos que este livro tem muito pouco de convencional. A escrita é poética e delicada, mas de uma forma bastante compreensível. Pareceu-me sentir ao início o esforço da autora para começar neste registo tendo-se depois tornado como uma segunda pele. Está muito bem escrito, disso não há dúvida. Aqui temos as tradições portuguesas como pano de fundo, os provérbios e rituais, os "dizeres" são a linha da verdade para alguns dos personagens. Outros, desafiam estas convicções, constroem a sua vida à parte de tudo isso. Carlota, a nossa narradora, conta-nos tudo acerca das diferenças desta família vista de dentro. Não há vergonha neste relato, não se importa com julgamentos.

 

Encontramos mulheres fortes e frágeis, ter a coragem de ser diferente é também uma forma de demonstrar força. O testemunho de Carlota é uma dessas formas de nos mostrar força, a mesma que a fez ultrapassar tudo e ainda estar presente (com as inevitáveis feridas do passado).

 

Esta é uma história muito portuguesa, cheia das nossas particularidades, das nossas vozes que por vezes são tão pequeninas. Mas Carlota não, Carlota é muito grande. A sua voz eleva-se acima dos mortos e feridos e ocupa o lugar da razão. A memória, apesar por vezes dolorosa, consegue (também por vezes) trazer algum entendimento.

 

Apesar disto houve qualquer coisa que não me permitiu entrar na história como gostaria, mantive-me sempre à superfície, sem me deixar afectar pelas suas memórias. Passei pelos espaços entre as gotas da chuva. (Há coisas e dias assim).

 

Mas reafirmo: vale a pena conhecer esta autora que me parece estar apenas a começar.

 

"Sonho é balão que insufla e desincha, consoante se cumpre ou adia."

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