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Holly Reader

Confissões de uma bookaholic.

Holly Reader

Confissões de uma bookaholic.

A laranja mecânica | Anthony Burgess

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Bem, que livro este. Cheio de raiva de adolescente, violência, traições, e sobretudo, cheio de piada. É realmente impressionante a forma como o autor criou esta história que supostamente se passa num futuro distópico mas que, na minha opinião, se poderia muito bem passar nos dias de hoje. A violência e a criminalidade estão presentes ao longo de todo o livro mas a mensagem do autor vai muito além disso. Será justo dizermos que somos "bons" ou "maus" se não tivermos escolha? Ou seja, se formos obrigados a agir de determinada forma (por qualquer tipo de força ou entidade) podemos dizer que agimos bem ou mal? Apesar de neste livro os actos do personagem principal, Alex, serem extremos é possível fazermos o paralelismo com a nossa sociedade actual. Um exemplo, se fosse possível roubar sem que fôssemos presos ou castigados, o que faríamos? No fundo, as escolhas que fazemos sem sermos obrigados de alguma forma é que reflectem realmente o nosso carácter

 

Neste livro o autor criou uma linguagem própria que o  Alex utiliza ao longo de todo o livro. E quando digo "linguagem própria" quero mesmo dizer palavras novas, palavras que não existem e que o autor inventou, tendo colocado um glossário no final do livro para consulta. Nas primeiras páginas custa um bocadinho estar sempre a recorrer ao glossário mas passado um tempo já conseguimos perceber a maior parte das palavras, ou pelo menos a ideia que o autor quer passar.

 

Sei que pode parecer uma comparação um pouco distante mas a verdade é que este autor me fez muitas vezes lembrar Saramago, por ter criado uma resolução do problema "tão fora" daquilo a que estamos habituados, pelo seu humor negro, ironia e também por se estar sempre "a meter com" o leitor, como se falasse para nós. 

 

Gostei muito desta leitura. Pode parecer um pouco pesada ao início mas à medida que vamos avançando fiquei com a sensação que tudo não passa de uma grande piada que podia muito bem ser verdade

 

Curiosidade: o autor estava hesitante em colocar ou não o último capítulo (que para quem leu sabe que muda bastante as coisas) tendo efectivamente chegado a circular no mercado duas versões do memso livro - uma com esse capítulo final e outra sem.

 

Minha pontuação no Goodreads: 4*

Paris é uma festa | Ernest Hemingway

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Há muito tempo que não lia um livro tão rapidamente. Não foi o meu primeiro contacto com Hemingway e fiquei agradavelmente surpreendida em relação ao que tinha lido anteriormente. O livro está dividido por capítulos mas quase que se pode chamar um conto a cada capítulo porque cada um deles conta uma história. Gostei mais de alguns capítulos do que outros mas na generalidade gostei muito de conhecer o mundo do Hemingway como jovem escritor em Paris, o contacto com outros escritores e artistas, as mudanças de casa, a sua rotina, os pequenos prazeres que apreciava, enfim, gostei de o conhecer melhor.

 

O livro passa-se numa altura em que Hemingway vivia em Paris (nos anos 20), apesar de só o ter começado a escrever muito mais tarde (1957). A verdade é que a narrativa se poderia passar em qualquer outro sítio do mundo porque o que fazia de Paris uma festa eram as pessoas que lá viviam e com quem ele convivia. Gostei especialmente da forma simples que o autor descreve a cidade e as estações do ano a passar. Ponto extra também para os diálogos peculiares e engraçados, é impossível não rir na companhia deste livro.

 

Li este livro porque foi o escolhido pelo Clube dos Clássicos Vivos, um grupo que se dedica à leitura dos clássicos da literatura (como o nome indica) e os discute posteriormente. Agradeço ao grupo esta escolha!

 

O Pintassilgo | Donna Tartt

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Tenho sentimentos muito contraditórios em relação a este livro. Explico-vos porquê: comecei a lê-lo há cerca de dez meses (ou mais) e apesar de ter avançado rapidamente durante as primeiras 100 páginas eis que cheguei a um momento em que não conseguia ler mais do que 2 a 3 páginas por dia. Este era o livro que eu guardava para ler à noite quando tenho o maior período de tempo que posso dedicar à leitura e mal lia um bocadinho, dava-me logo o sono e não conseguia avançar. No entanto, e apesar de o ler muito pouco, sabia sempre exactamente em que ponto da história estava, sem necessidade de reler o parágrafo anterior. Entretanto, resolvi guardá-lo uns tempos na gaveta (visto que entre nós não estava a resultar). Há uns dias fui resgatá-lo à gaveta e decidi que era agora a altura para o terminar. 

 

Penso que o maior problema deste livro é mesmo o facto de ser tão extenso (tem 895 páginas), é o maior livro que tenho agora na minha estante. E digo isto porque acho sinceramente que a história se contaria de forma muito mais intensa e eficaz em metade das páginas. Não posso dizer que o livro não é interessante porque eu acho que é até bastante interessante mas para mim tornou-se monótono, a narrativa não avançava e no fim (em 100 páginas) aconteceu tudo ao mesmo tempo sem me deixar tempo para respirar. 

 

Falando um bocadinho da história em si: o narrador e protagonista é o Theo que nos conta a sua vida desde o momento em que perde a sua mãe numa explosão num museu em Nova Iorque. Na altura da explosão Theo tem apenas 13 anos e sendo filho de pais separados, e com muito pouco convivência com o pai, ele é quase que empurrado para uma série de acontecimentos que moldam todo o seu percurso de vida. E mais não digo. E o que é que o Pintassilgo tem a ver com isto? É que para além de ser uma história de perda e solidão, é também uma história acerca do poder da beleza e do amor aos objectos. 

 

Dou 5 estrelas à história e ao protagonista, adorei estes dois ingredientes.

Quanto à escrita e à narrativa lenta da Donna Tartt remeto-me às reticências...

 

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