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Holly Reader

Confissões de uma bookaholic.

Holly Reader

Confissões de uma bookaholic.

Sempre vivemos no castelo | Shirley Jackson

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Escolhi ler este livro dentro do excelente projecto #marçofeminino do blog Say hello to my books. A autora é considerada uma das mais influentes escritoras norte-americanas e este é o seu primeiro livro editado em Portugal.

 

A história é bastante peculiar, narra a vida de duas irmãs que vivem juntas e isoladas de toda a população da aldeia. A razão pela qual vivem assim vai sendo revelada ao longo de livro, sendo que desde o primeiro parágrafo percebemos que não estamos a lidar com personagens "normais". A irmã Mary Katherine é a narradora e revela desde o primeiro momento que sente um enorme fosse entre ela e "os outros", dentro da cabeça dela tudo gira à volta de pensamentos macabros e da morte. A sua grande e única amiga é a sua irmã Constance que parece viver num mundo fantasiado para se proteger a ela própria e a Mary Katherine. As irmãs partilham a sua casa com o tio Julian, um homem que vive preso a um acontecimento que assombra as vidas destas três personagens. O ponto de viragem é o aparecimento de um primo que vai obrigar todas as personagens a lidarem com o exterior e a realidade da qual tentam a tudo o custo fugir. 

 

A história só pela originalidade merece destaque, não há dúvida. No entanto, para além desse ponto, o livro não me encantou. Achei os pensamentos de Mary Katherine repetitivos, infantis e descontextualizados, podendo muito provavelmente ser esse o intuito, mas não me prendeu de todo. A ação desenrola-se bastante lentamente, relatando o dia a dia das irmãs, por vezes, de forma muito minuciosa, o que me aborreceu. Também me faltou um pouco de contextualização em relação aos pensamentos e comportamentos das irmãs. Ou seja, seria preciso ambas terem sofrido traumas bastante graves para se apresentarem assim na história e isso não é revelado ao leitor. Por fim, não notei uma alteração emocional das personagens ao longo da história, excepto um pouco da irmã Constance, mas que foi rapidamente revertido ao anterior. Resumidamente, consigo ver o valor e interesse do livro, mas não consegui gostar dele.

 

No domingo de manhã, a mudança estava um dia mais próxima. Eu estava decidida a não pensar as minhas três palavras mágicas e não as deixava entrarem-me na mente, mas o ar de mudança era tão forte que não havia maneira de o evitar. A mudança pendia sobre as escadas e a cozinha e o jardim como se fosse nevoeiro. 

 

Minha pontuação Goodreads: 2*

Eu sou a árvore | Possidónio Cachapa

 

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Foi a primeira vez que li um livro de Possidónio e as expectativas eram muito altas. Não me desiludiu, é um livro excelente, a sua escrita é metafórica, oportunamente crua e repleta de alusões à natureza. Há alguns momentos muito intensos ao longo do livro e nesses momentos, o autor captou-me totalmente a atenção. O livro é composto por capítulos relativamente curtos que, na minha opinião, estão muito bem divididos, e através dos quais vamos recuando e avançando no tempo, alternadamente. Ao longo do livro temos as perspectivas de praticamente todas as personagens da história, o que nos permite conhecê-las de dentro. Contudo, confesso que houve algumas partes do livro que me custaram ler, talvez pela linguagem utilizada pelo autor, nessas alturas o meu envolvimento decrescia, sendo depois recuperado no capítulo seguinte. 

 

O livro conta-nos a história de uma família que se muda para o campo onde passam a viver da terra. Samuel, sente-se como um peixe na água com este trabalho, as árvores parecem conhecê-lo e saber que ele as ama mais do que tudo, mais do que à sua própria família, a qual ressente a sua ausência e total indiferença em relação a todos eles. Jude, a sua mulher, sente-se cada vez mais longe daquilo que um dia foi e daquilo que um dia julgou vir a ser. Os seus filhos, Laura, Esperanto e Vitória crescem sem que o pai tenha intervenção nos seus dramas e alegrias, o que se vai reflectindo nos seus comportamentos e percursos. À medida que a história se vai desenvolvendo percebemos que tudo tem consequências irremediáveis para todos.

 

A personagem de Samuel é tão real, tão conhecida do que por vezes observamos que nos é fácil conhecê-lo e, em parte, entendê-lo. Todos nós, muitas vezes, também descuramos aquilo que é na verdade mais importante. Este é um livro sobre perda e aprendizagem. E recomenda-se.

 

"Samuel abria a terra, Jude rodava em transe sobre o chão da cozinha, Esperanto metia vermes na boca para sentir o movimento de fuga sobre a língua e Laura deixava-se comer por um rapaz que babava ligeiramente quando se vinha em frémitos. Eram calmos os dias no campo onde nunca nada acontecia..."

 

Minha pontuação no Goodreads: 4*

Misery | Stephen King

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Finalmente posso dizer que terminei! Estava muito lançada durante as primeiras 40 páginas e depois fui gradualmente perdendo o interesse no livro. Avançava muito lentamente e a própria escrita não me parecia digna do aclamado Stephen King. Segui então os conselhos de outras bloggers: pus o livro um pouco de lado e avançei para a próxima leitura. Levava o livro durante alguma viagem que fazia de transportes públicos ou quando sabia que provavelmente teria alguns momentos de espera durante o dia. Fui, assim, alternando esta leitura com outra. Mesmo assim, e até pelo menos metade do livro, não consegui voltar a sentir nenhuma espécie de entusiasmo por ele. Isto foi até ao dia de ontem em que lhe peguei e foi a minha companhia de domingo, terminei-o ontem e nas últimas cerca de 150 páginas conseguiu entusiasmar-me.

 

A história é sem dúvida muito peculiar e penso que os momentos de pânico/terror são muito bem descritos pelo autor. O que me aborreceu foi que durante muitas partes do livro parece que estamos a ser "engonhados" até que finalmente acontece um ponto alto. Um livro não vive só destes momentos altos, mas esperava pelo menos "ser entretida" durante os momentos que ligam um ponto alto a outro. 

 

O livro conta a história de Paul, um escritor conceituado que tem um acidente de viação e é resgatado pela sua "fã número um" - Annie. Ferido e imobilizado no quarto de hóspedes de Annie, Paul é vítima de todo o tipo de atrocidades físicas e psicológicas que o impedem de pedir ajuda ou conseguir escapar. Annie é na verdade uma psicópata que encontrou uma nova vítima e que por acaso é o seu escritor preferido. No entanto, esta não está nada contente com o final que Paul escolheu para o seu último livro publicado (a morte da sua personagem preferida - Misery) e obriga-o assim a escrever um novo livro em que Misery não esteja morta. No final desta jornada, nenhum dos dois será o mesmo. 

 

Os pontos fortes deste livro, para mim, são o facto da personagem de Annie estar tão bem construída e a forma como o autor, a partir de certo ponto, consegue descrever na perfeição a sensação de medo de Paul. Tem também muita ironia à mistura e consegue fazer-nos alternar entre realidades distintas de forma quase imperceptível.

 

O pior do livro são as descrições mais chatas e as páginas "sem-nada-a-acrescentar" que me tiraram o prazer da leitura. De qualquer forma, conseguiu conquistar um pouco de mim nas páginas finais.

 

Minha pontuação no Goodreads: 3*