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Holly Reader

Confissões de uma bookaholic.

Holly Reader

Confissões de uma bookaholic.

Desaparecidos | Caroline Eriksson

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 (prometo que a gravata aqui faz mesmo sentido)

 

Terminei ontem de ler este livro, confesso que a primeira coisa que me atraíu nele foi a capa (como tantas vezes é), li muito rapidamente a sinopse e muitas estrelinhas de boas opiniões em relação a ele.

 

Logo na primeira página há uma descrição física do personagem masculino e este tipo de coisas, não sei porquê, quase nunca me caem bem, a não ser que sejam feitos de forma muito simples e quase "sem querer". No entanto, continuei. As primeiras 100 páginas são bastante previsíveis e melhora um pouco depois disso.

 

A escrita da autora é bastante objectiva, recorre às comparações de sempre e às metáforas do costume, o que acaba por atenuar o objectivo do suspense, do querer saber o que vai acontecer na página seguinte. Se é esse tipo de livro que procuram, não é este. Especialmente, para quem está habituado a thrillers psicológicos complexos (o que nem é o meu caso). A narrativa é composta por frases curtas, bastantes repetições e, na minha opinião, foi colocado demasiado esforço em convencer o leitor de certas coisas para depois desvendar outra coisa completamente diferente. Eu consegui sentir isso e portanto nunca cheguei a acreditar em nada do que estavam a contar. 

 

Uma das coisas que gostei muito no livro foram os capítulos curtos (mesmo muito curtos) que deram bastante ritmo à leitura, temos mesmo a sensação de estarmos a avançar no tempo. Gostei também de alguns pensamentos a itálico que a autora foi introduzindo ao longo da história e que são como uma lufada de ar fresco. O melhor de tudo, é o  grande girl power que é demonstrado por parte de todas as personagens femininas, é bom ver isto também acontecer em ficção. 

 

Infelizmente, estes tópicos que referi não foram suficientes para resgatar esta leitura que me trouxe muito pouco de mistério, entreteve-me durante um tempo, mas sem grandes sobressaltos ou surpresas.

 

Minha pontuação no Goodreads: 2*

 

Obrigada à Suma de Letras Portugal

Crime e castigo | Fiodor Dostoievski

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Terminei hoje de ler este clássico, há muito que tentava conseguir enquadrá-lo nas minhas leituras e foi este mês. Não tendo lido nada do autor e sendo um livro escrito durante o século XIX esperava uma linguaguem complexa, descrições lentas e pormenorizadas e personagens complexos. Gostei logo do livro e da personagem principal, Rodion, nas primeiras páginas e mantive-me assim durante bastante tempo. Achei fantástica a forma como o autor consegue descrever tão bem o que vai na alma (ou pensamento, se preferirem) de todos os personagens e como todos eles são tão bem descritos e distintos uns dos outros.

 

A luta interior do personagem principal que acompanha todo o livro (mesmo até à última página) e, inicialmente, parecendo que em nada se relaciona com o ser humano comum, no fundo quase todos  nós "travamos" a mesma luta que ele: de sermos mais do que "razóaveis", "normais" ou até "banais". O livro descreve a tentativa do personagem nessa busca onde é atormentado ou por si próprio (na maioria das vezes) ou por outras personagens. 

 

A forma como o autor consegue fazer tão habilmente a transição dos discursos, pensamentos e ações dos personagens é brilhante, a linguagem é muito rica, apesar de a ter achado bastante simples e há personagens que ficam na memória com uma forte componente visual assim como psicológica. 

 

Apesar de tudo isto e, de forma geral, a leitura ter sido agradável, houve partes que realmente me aborreceram porque apenas repetiam as mesmas voltas do personagem principal ou que arrastavam imenso tempo sem (para mim) adicionar nenhuma componente nova. Posso ser eu que tenho um problema com as repetições porque para mim aborrecem-me em vez de evidenciarem ainda mais os factos. Por essa razão, as últimas 200 páginas custaram-me bastante a ler, considerando, no entanto, que é uma leitura que vale muito a pena, acho que é um verdadeiro clássico que merece ser lido por todos.

 

Minha pontuação no Goodreads: 3.5*

Coração tão branco | Javier Marías

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Acho que marquei o livro quase todo com tirinhas, sublinhados, páginas dobradas, comentários,...um livro recheado de passagens e reflexões fantásticas, acho que foi isso que guardei mais. O personagem principal, Juan, enche a história com as suas opiniões e reflexões que, apesar de por vezes confusas (tal como a mente de todos nós), me fizeram ficar agarrada ao livro. Não fiquei logo ao início, e há inclusive algumas páginas que dispensava por as considerar um pouco esmiuçadas demais, mas havia sempre algo que me envolvia novamente na história. 

 

O autor escreve de uma forma muito particular, acho que a conseguiria identificar caso lesse mais alguma coisa dele sem saber. Adoro os parênteses a que recorre frequentemente, a escrita corrida e veloz (como os nossos pensamentos), o paralelismo que cria com uma obra de Shakespeare e que se vai tornando mais intensa à medida que caminhamos para o desfecho. É aliás daí que decorre o nome do livro - coração tão branco. Adoro este título, tão descontextualizado quando se vê pela primeira vez e depois tão amoroso e trágico ao mesmo tempo. 

 

Nas primeiras páginas é narrado um suícidio que me deixou logo interessada em saber mais acerca do porquê daquele acontecimento tão brutal. Com o decorrer da narrativa quase que me esqueci desse acontecimento passado (quase) mas o autor mantém-nos atentos a ele nas entrelinhas enquanto nos conta outros acontecimentos igualmente brutais (embora de outras formas) que me fizeram reflectir. 

 

Deixo uma citação em baixo, ainda não consegui deixar de pensar nela. Este livro tem esse efeito.

 

"Às vezes tenho a sensação de que nada do que acontece acontece de facto, porque nada acontece sem interrupção, nada perdura, nem permanece nem se recorda incessantemente, e até a mais monótona e rotineira das existências se vai anulando e negando a si mesma na sua aparente repetição até que nada seja nada e ninguém seja ninguém do que foram antes, e a frágil roda do mundo é empurrada por desmemoriados que ouvem, vêem, e sabem o que não se diz nem tem lugar, nem é congnoscível nem comprovável."

 

Minha pontuação no Goodreads: 4*

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