Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Holly Reader

Confissões de uma bookaholic.

Holly Reader

Confissões de uma bookaholic.

Fábrica de melancolias suportáveis | Raquel Gaspar Silva

thumbnail_FullSizeRender.jpg

 

Foi com grande alegria que encontrei nas livrarias este romance de uma autora portuguesa estreante. Esta edição da Elsinore é simplesmente linda, dá gosto pegar neste livro. Claro que tinha que o trazer aqui para casa.

 

Assim que pousamos os olhos nas primeiras linhas percebemos que este livro tem muito pouco de convencional. A escrita é poética e delicada, mas de uma forma bastante compreensível. Pareceu-me sentir ao início o esforço da autora para começar neste registo tendo-se depois tornado como uma segunda pele. Está muito bem escrito, disso não há dúvida. Aqui temos as tradições portuguesas como pano de fundo, os provérbios e rituais, os "dizeres" são a linha da verdade para alguns dos personagens. Outros, desafiam estas convicções, constroem a sua vida à parte de tudo isso. Carlota, a nossa narradora, conta-nos tudo acerca das diferenças desta família vista de dentro. Não há vergonha neste relato, não se importa com julgamentos.

 

Encontramos mulheres fortes e frágeis, ter a coragem de ser diferente é também uma forma de demonstrar força. O testemunho de Carlota é uma dessas formas de nos mostrar força, a mesma que a fez ultrapassar tudo e ainda estar presente (com as inevitáveis feridas do passado).

 

Esta é uma história muito portuguesa, cheia das nossas particularidades, das nossas vozes que por vezes são tão pequeninas. Mas Carlota não, Carlota é muito grande. A sua voz eleva-se acima dos mortos e feridos e ocupa o lugar da razão. A memória, apesar por vezes dolorosa, consegue (também por vezes) trazer algum entendimento.

 

Apesar disto houve qualquer coisa que não me permitiu entrar na história como gostaria, mantive-me sempre à superfície, sem me deixar afectar pelas suas memórias. Passei pelos espaços entre as gotas da chuva. (Há coisas e dias assim).

 

Mas reafirmo: vale a pena conhecer esta autora que me parece estar apenas a começar.

 

"Sonho é balão que insufla e desincha, consoante se cumpre ou adia."

Morreste-me | José Luís Peixoto

FullSizeRender.jpg

 

Este livro "deu cabo de mim". Penso que é assim que melhor explico. Ao longo do livro José Luís Peixoto conta-nos a história da morte do pai. Mais do que isso: conta-nos o que ficou. Neste caso o que ficou é algo maior do que aquilo que existia: o vazio maior do que a presença, a dor chacina a alegria dos momentos passados, os sítios têm sempre algo a dizer.

 

Este livro é como uma carta, que também pode ser um testemunho, é a prova indelével do que se passa a carregar depois da perda de um pai.

 

Aqui é tudo contado sem freios ou filtros, talvez por isso atinja a parte mais macia do coração. Este é também um livro difícil. Não há pausas para descansar da dor, não há remédio que atenue a força dos pensamentos. Talvez se a memória não existisse fosse possível continuar a viver livremente. Depois da morte as ruas falam. 

 

Li este livro num sítio público e não consegui evitar chorar (muitas vezes). É pesado. Vale a pena pelo retrato fiel da ausência. No final fica aquele arrepio por as palavras escolhidas serem as certas.

 

Não há dúvidas, 5 estrelas bem brilhantes.

O rosto de Deus | Ana Teresa Pereira

IMG_9233.JPG

 

Ainda estou atordoada com esta leitura. Não conhecia a escritora nem nunca tinha ouvido falar, trouxe este livro por recomendação. Ao pesquisar um pouco mais sobre ela descobri que é muito reservada, mesmo nas suas raras aparições públicas para receber os prémios que já ganhou. Talvez por isso fosse para mim desconhecida. 

 

Não tenho a certeza de ter entendido completamente o livro mas adorei a experiência de leitura - desde o desconforto, passando pelo humor, terminando meia assustada. Sim, é possível. A autora vai jogando com as emoções do leitor como bem entende e nós só conseguimos segui-la. Queremos saber o que vem a seguir ou porque não ficamos satisfeitos com a explicação ou porque ficamos intrigados com a confusão das descrições. Uma das personagens principais - Tom - tem tudo a girar à sua volta sem nunca sabermos o que vai na sua cabeça, mesmo os diálogos com ele são bastante raros e, no entanto, creio nunca ter conhecido uma personagem tão intrigante quanto esta. A impressão que temos dele é apenas a que nos é dada pelos outros personagens. Impressões vagas e ao mesmo tempo potentes.

 

Ao início pareceu-me que a autora estava a escrever poesia em prosa tal é o requinte e douçura da sua escrita. No entanto, também consegue semear o medo e ser implacável. Esta dualidade (que emprega sem esforço) dá muita profundidade ao livro. 

 

O livro está dividido em duas partes para nos dar a conhecer duas perspectivas. Gostei especialmente do mistério que paira no ar e que fica sempre por esclarecer (caso contrário não seria mistério). Penso que este livro trata do poder que os outros podem ter sobre nós e sobre esta vontade tão humana que temos ao pensar que o amor nos funde num só, mas talvez me tenha passado ao lado a mensagem mais importante.

 

Para mim "O rosto de Deus" é a ofuscação do amor

 

Fiquei muito impressionada com a autora, vou querer ler mais.

 

Minha pontuação no Goodreads: 3,5 (se fosse possível)

Mais sobre mim

foto do autor

A ler

Leitura Clube dos Clássicos Vivos

Pesquisar

 

No Youtube

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D