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Holly Reader

Confissões de uma bookaholic.

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Confissões de uma bookaholic.

Coração tão branco | Javier Marías

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Acho que marquei o livro quase todo com tirinhas, sublinhados, páginas dobradas, comentários,...um livro recheado de passagens e reflexões fantásticas, acho que foi isso que guardei mais. O personagem principal, Juan, enche a história com as suas opiniões e reflexões que, apesar de por vezes confusas (tal como a mente de todos nós), me fizeram ficar agarrada ao livro. Não fiquei logo ao início, e há inclusive algumas páginas que dispensava por as considerar um pouco esmiuçadas demais, mas havia sempre algo que me envolvia novamente na história. 

 

O autor escreve de uma forma muito particular, acho que a conseguiria identificar caso lesse mais alguma coisa dele sem saber. Adoro os parênteses a que recorre frequentemente, a escrita corrida e veloz (como os nossos pensamentos), o paralelismo que cria com uma obra de Shakespeare e que se vai tornando mais intensa à medida que caminhamos para o desfecho. É aliás daí que decorre o nome do livro - coração tão branco. Adoro este título, tão descontextualizado quando se vê pela primeira vez e depois tão amoroso e trágico ao mesmo tempo. 

 

Nas primeiras páginas é narrado um suícidio que me deixou logo interessada em saber mais acerca do porquê daquele acontecimento tão brutal. Com o decorrer da narrativa quase que me esqueci desse acontecimento passado (quase) mas o autor mantém-nos atentos a ele nas entrelinhas enquanto nos conta outros acontecimentos igualmente brutais (embora de outras formas) que me fizeram reflectir. 

 

Deixo uma citação em baixo, ainda não consegui deixar de pensar nela. Este livro tem esse efeito.

 

"Às vezes tenho a sensação de que nada do que acontece acontece de facto, porque nada acontece sem interrupção, nada perdura, nem permanece nem se recorda incessantemente, e até a mais monótona e rotineira das existências se vai anulando e negando a si mesma na sua aparente repetição até que nada seja nada e ninguém seja ninguém do que foram antes, e a frágil roda do mundo é empurrada por desmemoriados que ouvem, vêem, e sabem o que não se diz nem tem lugar, nem é congnoscível nem comprovável."

 

Minha pontuação no Goodreads: 4*

A laranja mecânica | Anthony Burgess

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Bem, que livro este. Cheio de raiva de adolescente, violência, traições, e sobretudo, cheio de piada. É realmente impressionante a forma como o autor criou esta história que supostamente se passa num futuro distópico mas que, na minha opinião, se poderia muito bem passar nos dias de hoje. A violência e a criminalidade estão presentes ao longo de todo o livro mas a mensagem do autor vai muito além disso. Será justo dizermos que somos "bons" ou "maus" se não tivermos escolha? Ou seja, se formos obrigados a agir de determinada forma (por qualquer tipo de força ou entidade) podemos dizer que agimos bem ou mal? Apesar de neste livro os actos do personagem principal, Alex, serem extremos é possível fazermos o paralelismo com a nossa sociedade actual. Um exemplo, se fosse possível roubar sem que fôssemos presos ou castigados, o que faríamos? No fundo, as escolhas que fazemos sem sermos obrigados de alguma forma é que reflectem realmente o nosso carácter

 

Neste livro o autor criou uma linguagem própria que o  Alex utiliza ao longo de todo o livro. E quando digo "linguagem própria" quero mesmo dizer palavras novas, palavras que não existem e que o autor inventou, tendo colocado um glossário no final do livro para consulta. Nas primeiras páginas custa um bocadinho estar sempre a recorrer ao glossário mas passado um tempo já conseguimos perceber a maior parte das palavras, ou pelo menos a ideia que o autor quer passar.

 

Sei que pode parecer uma comparação um pouco distante mas a verdade é que este autor me fez muitas vezes lembrar Saramago, por ter criado uma resolução do problema "tão fora" daquilo a que estamos habituados, pelo seu humor negro, ironia e também por se estar sempre "a meter com" o leitor, como se falasse para nós. 

 

Gostei muito desta leitura. Pode parecer um pouco pesada ao início mas à medida que vamos avançando fiquei com a sensação que tudo não passa de uma grande piada que podia muito bem ser verdade

 

Curiosidade: o autor estava hesitante em colocar ou não o último capítulo (que para quem leu sabe que muda bastante as coisas) tendo efectivamente chegado a circular no mercado duas versões do memso livro - uma com esse capítulo final e outra sem.

 

Minha pontuação no Goodreads: 4*

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