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Holly Reader

Confissões de uma bookaholic.

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Confissões de uma bookaholic.

Morreste-me | José Luís Peixoto

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Este livro "deu cabo de mim". Penso que é assim que melhor explico. Ao longo do livro José Luís Peixoto conta-nos a história da morte do pai. Mais do que isso: conta-nos o que ficou. Neste caso o que ficou é algo maior do que aquilo que existia: o vazio maior do que a presença, a dor chacina a alegria dos momentos passados, os sítios têm sempre algo a dizer.

 

Este livro é como uma carta, que também pode ser um testemunho, é a prova indelével do que se passa a carregar depois da perda de um pai.

 

Aqui é tudo contado sem freios ou filtros, talvez por isso atinja a parte mais macia do coração. Este é também um livro difícil. Não há pausas para descansar da dor, não há remédio que atenue a força dos pensamentos. Talvez se a memória não existisse fosse possível continuar a viver livremente. Depois da morte as ruas falam. 

 

Li este livro num sítio público e não consegui evitar chorar (muitas vezes). É pesado. Vale a pena pelo retrato fiel da ausência. No final fica aquele arrepio por as palavras escolhidas serem as certas.

 

Não há dúvidas, 5 estrelas bem brilhantes.

O deslumbre de Cecilia Fluss | João Tordo

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A família está reunida. E é bonita. 

 

A trilogia chegou ao fim e eu cheguei ao fim dela. Com "O deslumbre de Cecilia Fluss", e à medida que o ia lendo, os círculos iam-se fechando e, no entanto, fico com a sensação que o autor podia continuar a escrever esta trilogia para sempre porque, na verdade, nada acaba. A busca não tem fim e a luta continua. Há lições importantes para todos os personagens (e também para o leitor). O livro é uma jornada impressionante e só mesmo um grande escritor para fazer com que todos os pontos se encontrem e, ainda por cima, de forma sublime. De uma forma muito geral fala-se de adolescência, amizade, amor, perda, medo, solidão e demência. Mas isso são apenas os meios de transporte utilizados para falar da vida e da condição humana - de que é que somos feitos? O que é que nos magoa (e porquê)? O que é que procuramos? E portanto é um convite à auto-análise, ao sentido das coisas, ao sofrimento que nunca parece terminar. 

 

Escuso-me a falar da história porque acho que as sinopses, por vezes, acabam por diminuir um livro e este é grande, mesmo grande. Não consigo apontar nada de mau, ou sequer menos bom, o livro é brilhante. Partilhei o sofrimento com o Matias, a solidão com o Elias, a insatisfação com a Cecilia e um pouco de loucura com todos eles. 

 

Vale muito a pena ler esta trilogia, desconfio que não haja nada tão verdadeiro como ela.

 

Precisamos, como disse um poeta, de ter paciência com tudo o que está por resolver nos nossos corações, de tentar amar as perguntas como se fossem livros escritos numa língua desconhecida, abraçar a inquietação como o território onde a nossa vida se desmultiplicará para, um dia, se unir em torno de uma resposta, à semelhança de uma família novamente reunida.

 

Minha pontuação no Goodreads: 5*

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