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Holly Reader

Confissões de uma bookaholic.

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Eu sou a árvore | Possidónio Cachapa

 

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Foi a primeira vez que li um livro de Possidónio e as expectativas eram muito altas. Não me desiludiu, é um livro excelente, a sua escrita é metafórica, oportunamente crua e repleta de alusões à natureza. Há alguns momentos muito intensos ao longo do livro e nesses momentos, o autor captou-me totalmente a atenção. O livro é composto por capítulos relativamente curtos que, na minha opinião, estão muito bem divididos, e através dos quais vamos recuando e avançando no tempo, alternadamente. Ao longo do livro temos as perspectivas de praticamente todas as personagens da história, o que nos permite conhecê-las de dentro. Contudo, confesso que houve algumas partes do livro que me custaram ler, talvez pela linguagem utilizada pelo autor, nessas alturas o meu envolvimento decrescia, sendo depois recuperado no capítulo seguinte. 

 

O livro conta-nos a história de uma família que se muda para o campo onde passam a viver da terra. Samuel, sente-se como um peixe na água com este trabalho, as árvores parecem conhecê-lo e saber que ele as ama mais do que tudo, mais do que à sua própria família, a qual ressente a sua ausência e total indiferença em relação a todos eles. Jude, a sua mulher, sente-se cada vez mais longe daquilo que um dia foi e daquilo que um dia julgou vir a ser. Os seus filhos, Laura, Esperanto e Vitória crescem sem que o pai tenha intervenção nos seus dramas e alegrias, o que se vai reflectindo nos seus comportamentos e percursos. À medida que a história se vai desenvolvendo percebemos que tudo tem consequências irremediáveis para todos.

 

A personagem de Samuel é tão real, tão conhecida do que por vezes observamos que nos é fácil conhecê-lo e, em parte, entendê-lo. Todos nós, muitas vezes, também descuramos aquilo que é na verdade mais importante. Este é um livro sobre perda e aprendizagem. E recomenda-se.

 

"Samuel abria a terra, Jude rodava em transe sobre o chão da cozinha, Esperanto metia vermes na boca para sentir o movimento de fuga sobre a língua e Laura deixava-se comer por um rapaz que babava ligeiramente quando se vinha em frémitos. Eram calmos os dias no campo onde nunca nada acontecia..."

 

Minha pontuação no Goodreads: 4*

A verdadeira vida de Sebastian Knight | Vladimir Nabokov

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Terminei de ler este livro há cerca de uma semana e meia de forma que estou um pouco atrasada com a publicação desta opinião. Este foi o primeiro livro que li de Nabokov e gostei muito. A história que o livro nos conta é sem dúvida original pois acompanhamos o percurso do protagonista na busca daquilo que foi a verdadeira vida do seu falecido meio-irmão. Apesar de pouco ou nada saber acerca dele, vamo-nos apercebendo, pouco a pouco, que este protagonista sabe sempre um pouco mais do que aquilo que afirma. Isto deixou-me intrigada e fez-me querer continuar a tentar perceber não só quem era o seu meio-irmão, como também quem era ele próprio. 

 

Adorei a forma como está escrito. Esperava uma escrita mais complexa e pesada, mas é precisamente o contrário. O autor tem, no entanto, um vocabulário muito rico, utilizando muitas vezes expressões ou até curtos diálogos em francês. O livro flui muito bem, mantendo sempre a curiosidade do leitor aguçada e terminamos quase sem nos apercebermos. Uma das coisas que mais gostei foi a capacidade que o autor tem para descrever determinados pormenores ou estados de espírito, deixo um exemplo em baixo na citação.

 

Recomendo vivamente. 

 

 

 "A mulher ao meu lado tinha um termos com café e manuseava-o com uma espécie de amor maternal. Sentia-me todo pegajoso e aflitivamente por barbear. Penso que se as minhas faces ásperas tivessem nesse instante aflorado um pedaço de cetim, eu teria desmaiado."

 

Minha pontuação Goodreads: 4*

Quem disser o contrário é porque tem razão | Mário de Carvalho

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Terminei este livro há uns dias e continuo em condições de dizer que é espectacular. No meu caso o tema interessava-me, mas posso dizer que vale a pena mesmo para quem não tem interesse em escrever ficção.

 

O autor leva-nos numa viagem pela história da literatura tomando como exemplo a forma como grandes autores (Eça de Queirós, Jorge Luis Borges, Umberto Eco, etc) escreveram as suas obras. É importante referir que o autor nos dá bases teóricas e bastantes bons exemplos sem nunca dizer as palavras "nunca façam assim..." ou "façam sempre assim...", não existem formúlas e o caminho serve para ser percorrido por cada um. Faz, no entanto, algumas advertências acerca de quais poderão ser os caminhos mais sinuosos, mas nada nos impede de os percorrer. 

 

Gostei muito porque aprendi imenso quase sem me aperceber, devido à forma como o próprio autor escrever, com vocabulário por vezes um pouco complexo (o que também foi uma aprendizagem) mas muito divertido. Com certeza vou abrir muitas mais vezes este livro.

 

"Pensar que se fica apto a escrever depois de ler um compêndio de escrita criativa é o mesmo que julgar que se passa a dominar uma língua após ter comprado um dicionário."

 

Minha pontuação no Goodreads: 4*

 

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