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Holly Reader

Confissões de uma bookaholic.

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Homens imprudentemente poéticos | Valter Hugo Mãe

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Terminei de ler este livro ontem e obriguei-me a dormir sobre os pensamentos que o livro despertou. Não posso, no entanto, dizer que hoje estou menos afectada que ontem.

 

Este foi o primeiro livro que li do autor, do qual já tinha ouvido falar. Após ler uma entrevista que o autor deu ao DN no verão deste ano, entreguei-lhe a minha total atenção. Eis porquê: durante a entrevista, quando lhe perguntam porque não gosta da vida dos festivais literários, responde, entre outras coisas: "...eu acho que se um escritor não usa a voz para dizer alguma coisa de jeito, fica ali apenas para adocicar o chazinho, mais vale não participar...".

Concordei mentalmente e completamente com o autor, sentindo que tudo o que tinha sido dito na entrevista tinha bastante jeito, falando sempre com uma elegância profunda que eu nunca tinha conheçido. 

 

Valter Hugo Mãe tem uma linguagem própria inventada nos confins da sua mente e coração. Linguagem essa que atribui ainda mais sentido ao livro. Escreve leve e poeticamente, complexo mas com uma mensagem simples. Descobrir as suas palavras é uma viagem alucinante que nos percorre a alma e acaba no nosso final.

Se fosse possível concretizar numa palavra seria: lindo. Pela beleza e perfeição.

 

No final, fico com a certeza do bom que é ser imprudentemente poético. Ultrapassar o que nos afasta, com todas as diferenças contidas em nós, e encontrar o que nos aproxima. Fazermo-nos melhores, depois de todas as desgraças individuais, alimentarmo-nos delas como força para o que ainda está para vir e que será, seguramente, poético.

 

Por último, o facto do autor ter excluído a palavra "não" da história, e tendo eu consciência disso antes de o ler, fez-me admirá-lo ainda mais pela obrigação a que se propôs e por tão natural resultado.

 

Itaro, se pudesse, gostaria de o ver morto. Depois, pensava, se pudesse, gostaria de o matar. Por seu lado, Saburo, sentimental, pensava que, se pudesse, gostaria de matar o artesão. Depois, ponderava e pensava que gostaria de o ver morto.

 

Este livro inclui-se também dentro do Desafio #lerosnossos, onde incentivamos a leitura de autores portugueses.

 

Minha pontuação no Goodreads: 4*

 

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