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Holly Reader

Opiniões literárias, leituras programadas, desafios, devaneios, TAG's, novidades editoriais, eventos, encontros. Aviso: pode criar dependência a livros :)

Coração tão branco | Javier Marías

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Acho que marquei o livro quase todo com tirinhas, sublinhados, páginas dobradas, comentários,...um livro recheado de passagens e reflexões fantásticas, acho que foi isso que guardei mais. O personagem principal, Juan, enche a história com as suas opiniões e reflexões que, apesar de por vezes confusas (tal como a mente de todos nós), me fizeram ficar agarrada ao livro. Não fiquei logo ao início, e há inclusive algumas páginas que dispensava por as considerar um pouco esmiuçadas demais, mas havia sempre algo que me envolvia novamente na história. 

 

O autor escreve de uma forma muito particular, acho que a conseguiria identificar caso lesse mais alguma coisa dele sem saber. Adoro os parênteses a que recorre frequentemente, a escrita corrida e veloz (como os nossos pensamentos), o paralelismo que cria com uma obra de Shakespeare e que se vai tornando mais intensa à medida que caminhamos para o desfecho. É aliás daí que decorre o nome do livro - coração tão branco. Adoro este título, tão descontextualizado quando se vê pela primeira vez e depois tão amoroso e trágico ao mesmo tempo. 

 

Nas primeiras páginas é narrado um suícidio que me deixou logo interessada em saber mais acerca do porquê daquele acontecimento tão brutal. Com o decorrer da narrativa quase que me esqueci desse acontecimento passado (quase) mas o autor mantém-nos atentos a ele nas entrelinhas enquanto nos conta outros acontecimentos igualmente brutais (embora de outras formas) que me fizeram reflectir. 

 

Deixo uma citação em baixo, ainda não consegui deixar de pensar nela. Este livro tem esse efeito.

 

"Às vezes tenho a sensação de que nada do que acontece acontece de facto, porque nada acontece sem interrupção, nada perdura, nem permanece nem se recorda incessantemente, e até a mais monótona e rotineira das existências se vai anulando e negando a si mesma na sua aparente repetição até que nada seja nada e ninguém seja ninguém do que foram antes, e a frágil roda do mundo é empurrada por desmemoriados que ouvem, vêem, e sabem o que não se diz nem tem lugar, nem é congnoscível nem comprovável."

 

Minha pontuação no Goodreads: 4*