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Holly Reader

Confissões de uma bookaholic.

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Teatro Vertical | Manuel Alberto Vieira

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Primeiro livro lido para os projectos: #lerosnossos #nestórias #christmasinthebooks2017

 

Estou a falar muito a sério quando digo que as ilustrações deste livro são maravilhosas. Neste caso fazem todo o sentido e dão profundidade aos contos. Gostei de conhecer a escrita deste autor. Se ao início fiquei um pouco de pé atrás, rapidamente me deixei embrenhar na estranheza, simplicidade e originalidade.

 

Todos os contos me fizeram pensar duas vezes, nenhum deles é linear. Gostei especialmente das descrições de alguns movimentos das personagens e dos seus comportamentos inesperados. As partes do corpo e os sentidos são centrais, na maior parte das vezes descrevem os estados de espírito das personagens.

 

Todos nós representamos uma peça, o teatro vertical parece não ser mais do que a vida no seu estado mais natural. Talvez aqui se tenha tentado descortinar os artifícios que habitualmente usamos no contacto com o outro.

 

"O homem agita com os lábios um palito inexistente, olha para cima, depois para baixo, dá um passo em frente, aproxima o rosto do dela, à distância de um beijo, abre a boca - coisas podres -, não diz nada, ela assusta-se, ele fecha a boca, contorna-a, avança em marcha lenta, os pés que raspam a terra chamam-na."

Cartas a um jovem escritor | Colum McCann

 

Fiquei logo interessada no título mas o livro conseguiu superar as minhas expectativas. Num tom informal e despretensioso o autor conseguiu captar a minha atenção. No final deixei-o cheio de marcações às quais pretendo regressar. É sobretudo um livro para reflectir em cada frase pois cada uma delas contém uma mensagem em si mesma. 

 

Creio que o livro funciona muito bem como companhia ao jovem escritor, vai caminhando lado a lado com ele, relembrando-o daquilo que interessa em cada fase da escrita. Vai além do óbvio e reforça tudo o que nos custa mais interiorizar. Desmistifica o papel do escritor como "o iluminado" trazendo-o à terra e assim consegue torná-lo mais próximo do jovem escritor

 

Destaco em baixo uma das frases que penso resumir muito bem o trabalho de um escritor.

 

"Mande a gramática às urtigas, mas só se souber a gramática. Mande a formalidade às urtigas, mas só se tiver aprendido o significado de formal. Mande o enredo às urtigas, mas talvez seja melhor, em determinada altura, fazer alguma coisa acontecer, e a estrutura às urtigas, mas só depois de ter pensado nela tão exaustivamente que é capaz de percorrer o seu trabalho de olhos fechados sem tropeçar."

 

Livro cedido pela editora Clube do Autor a quem muito agradeço.

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