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Holly Reader

Confissões de uma bookaholic.

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Confissões de uma bookaholic.

O castelo de vidro | Jeannette Walls

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Primeiramente, parece-me que é preciso ser muito corajosa para escrever algo assim de forma tão aberta, tão sincera. Este livro conta a história da infância e adolescência da autora. Uma infância extremamente difícil e cheia de vazios. Não consigo sequer imaginar como será passar por metade daquilo que Jeannette passou. Os pais de Jeannette são contra qualquer regra imposta pela sociedade, vivem como lhes apetece: sem regras. Mudam de cidade de cada vez que os problemas com as autoridades começam a aparecer (ou de cada vez que as coisas começam a tornar-se "aborrecidas"), arrastando com eles os seus quatro filhos. 

 

Se a visão ingénua e sonhadora dos pais por vezes me convenceu e conseguiu a minha empatia, descobri que servia apenas para ser completamente arrasada pelos comportamentos descabidos, pela falta de consciência, pela irresponsabilidade para com os filhos. E, sobretudo, pelo egoísmo que muitas vezes demonstravam: roubavam o dinheiro que os filhos ganhavam a trabalhar, comiam o que havia por casa (que muitas vezes era um pedaço de fiambre fora de validade) sem se preocuparem com a fome que os filhos passavam. Chegam mesmo a envolvê-los em esquemas para ganharem algum dinheiro. Ter um emprego fixo? Não, isso é para os chatos e certinhos. Eles vivem ao sabor da maré. Não me parece mal, não fosse o facto de terem filhos e do seu lema de vida ser bastante prejudicial para eles. 

 

Por tudo isto foi para mim uma grande surpresa as crianças demonstrarem desde cedo saber o que é certo e errado, lutarem afincadamente por aquilo que querem (muito diferente daquilo que os pais querem). Raras eram as vezes em que se sentiam desanimados, o caminho deles era para a frente e todos, um a um, se foram apercebendo que esse caminho era longe dos pais. Se ao início simpatizava com os pais, pelo sentido de aventura e liberdade, rapidamente lhes ganhei raiva ao mesmo tempo que a admiração pelas crianças aumentava.

 

E no final? No final aprendemos o verdadeiro sentido da palavra resiliência

 

A única coisa que não gostei tanto no livro foi a escrita da autora, não é particularmente boa e conta os factos com bastante distância, com normalidade. Mas, ao reflectir sobre isto, também me parece indicado que assim seja porque, afinal de contas, isto é a sua história e na altura tudo isto lhe parecia normal e até feliz.

 

Este livro fez-me sentir revoltada, enjoada pelas ações dos pais. E também me fez gostar muito destes quatro miúdos por terem vivido um inferno e terem sempre sido superiores aos pais.

  

Minha pontuação no Goodreads: 4*

 

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O Clube dos Clássicos Vivos já tem blog

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Aqui está o nosso logo. Para acederem ao blog basta clicarem no logo e começar a segui-lo.

 

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Para os meses de julho e agosto o clássico escolhido para leitura conjunta é "O vermelho e o negro" de Stendhal. Para quem se quiser juntar a nós, já sabe, é só aderir ao grupo no Goodreads!

 

Ler um livro desta forma, especialmente um clássico, torna a experiência de leitura mais enriquecedora.

 

Vamos lá?

 

Em setembro teremos mais um Encontro presencial dos Clássicos Vivos e contamos com a vossa presença.

Morreste-me | José Luís Peixoto

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Este livro "deu cabo de mim". Penso que é assim que melhor explico. Ao longo do livro José Luís Peixoto conta-nos a história da morte do pai. Mais do que isso: conta-nos o que ficou. Neste caso o que ficou é algo maior do que aquilo que existia: o vazio maior do que a presença, a dor chacina a alegria dos momentos passados, os sítios têm sempre algo a dizer.

 

Este livro é como uma carta, que também pode ser um testemunho, é a prova indelével do que se passa a carregar depois da perda de um pai.

 

Aqui é tudo contado sem freios ou filtros, talvez por isso atinja a parte mais macia do coração. Este é também um livro difícil. Não há pausas para descansar da dor, não há remédio que atenue a força dos pensamentos. Talvez se a memória não existisse fosse possível continuar a viver livremente. Depois da morte as ruas falam. 

 

Li este livro num sítio público e não consegui evitar chorar (muitas vezes). É pesado. Vale a pena pelo retrato fiel da ausência. No final fica aquele arrepio por as palavras escolhidas serem as certas.

 

Não há dúvidas, 5 estrelas bem brilhantes.

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