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Holly Reader

Opiniões literárias, leituras programadas, desafios, devaneios, TAG's, novidades editoriais, eventos, encontros. Aviso: pode criar dependência a livros :)

Leite e mel | Rui Kaur

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Faltam-me as palavras para falar sobre este livro. Só consigo dizer que recomendo muito. A linguagem é simples mas é uma leitura que vai bem fundo para ser saboreada página a página. Palavras afiadas e ilustrações delicadas.

 

dor

amor

separação

cura

 

é assim que a autora se apresenta a nós. Vale muito a pena conhecê-la. 5 grandes estrelas.

Cozinha vegetariana

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Apesar de não ser vegetariana, tenho vindo a fazer um esforço para reduzir o meu consumo de carne (principalmente) e peixe durante os últimos meses. Assim como dos produtos de origem animal. A verdade é que basta fazê-lo durante a uma/duas semanas para sentir logo alterações no nosso bem-estar. Uma outra verdade é que por vezes desisto porque fico sem ideias acerca do que cozinhar e acabo por andar sempre a fazer a mesma coisa.

 

Tinha aqui por casa este livro da Joana Alves e ontem ao desfolhá-lo encontrei algumas receitas espectaculares e que me parecem ser relativamente fáceis. E o mais importante para mim: são rápidas e saudáveis. Apesar de gostar de cozinhar, durante a semana não gosto de perder muito tempo na cozinha e deixo as receitas mais elaboradas para os fins de semana de mau tempo. Encontrei aqui algumas que vou experimentar! O livro está mais ou menos dividido pelas refeições e ainda dá umas dicas acerca do que devemos ter sempre na nossa despensa e onde comprar os produtos.

Leitura por terminar

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Tenho este livro na minha mesa de cabeceira há meses e não há forma de o terminar. Decidi ontem que o vou terminar neste últimos dias de março. Depois partilho convosco a minha opinião!

 

Apesar de não lhe pegar há algum tempo, de cada vez que volto a ele, lembro-me exactamente do ponto da história onde estava. É um calhamaço de 895 páginas, é sem dúvida o maior livro que tenho aqui por casa e está a custar-me muito lê-lo. Daqui a uns dias explico porquê! 

 

Mais alguém por aí que já o tenha lido? O que acharam?

Passatempo | Ema | Maria Teresa Horta

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Primeiro passatempo da Holly Reader para comemorar o mês do dia da mulher, da poesia, da primavera, enfim, de um rol de coisas boas ao qual quero acrescentar mais um - este livro.

 

Este livro chamou-me a atenção pela sua capa belíssima e pela citação da capa. Depois, pela Maria Teresa Horta, escritora e jornalista e uma das mais destacadas feministas de Portugal.

 

Asssim, vou ler o livro durante o mês de março e sortear este exemplar no dia 1 de abril entre todos aqueles que partilhem esta publicação no seu mural do facebook.

 

Vamos partilhar coisas boas?

 

Boa sorte a todos!

Sempre vivemos no castelo | Shirley Jackson

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Escolhi ler este livro dentro do excelente projecto #marçofeminino do blog Say hello to my books. A autora é considerada uma das mais influentes escritoras norte-americanas e este é o seu primeiro livro editado em Portugal.

 

A história é bastante peculiar, narra a vida de duas irmãs que vivem juntas e isoladas de toda a população da aldeia. A razão pela qual vivem assim vai sendo revelada ao longo de livro, sendo que desde o primeiro parágrafo percebemos que não estamos a lidar com personagens "normais". A irmã Mary Katherine é a narradora e revela desde o primeiro momento que sente um enorme fosse entre ela e "os outros", dentro da cabeça dela tudo gira à volta de pensamentos macabros e da morte. A sua grande e única amiga é a sua irmã Constance que parece viver num mundo fantasiado para se proteger a ela própria e a Mary Katherine. As irmãs partilham a sua casa com o tio Julian, um homem que vive preso a um acontecimento que assombra as vidas destas três personagens. O ponto de viragem é o aparecimento de um primo que vai obrigar todas as personagens a lidarem com o exterior e a realidade da qual tentam a tudo o custo fugir. 

 

A história só pela originalidade merece destaque, não há dúvida. No entanto, para além desse ponto, o livro não me encantou. Achei os pensamentos de Mary Katherine repetitivos, infantis e descontextualizados, podendo muito provavelmente ser esse o intuito, mas não me prendeu de todo. A ação desenrola-se bastante lentamente, relatando o dia a dia das irmãs, por vezes, de forma muito minuciosa, o que me aborreceu. Também me faltou um pouco de contextualização em relação aos pensamentos e comportamentos das irmãs. Ou seja, seria preciso ambas terem sofrido traumas bastante graves para se apresentarem assim na história e isso não é revelado ao leitor. Por fim, não notei uma alteração emocional das personagens ao longo da história, excepto um pouco da irmã Constance, mas que foi rapidamente revertido ao anterior. Resumidamente, consigo ver o valor e interesse do livro, mas não consegui gostar dele.

 

No domingo de manhã, a mudança estava um dia mais próxima. Eu estava decidida a não pensar as minhas três palavras mágicas e não as deixava entrarem-me na mente, mas o ar de mudança era tão forte que não havia maneira de o evitar. A mudança pendia sobre as escadas e a cozinha e o jardim como se fosse nevoeiro. 

 

Minha pontuação Goodreads: 2*

Eu sou a árvore | Possidónio Cachapa

 

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Foi a primeira vez que li um livro de Possidónio e as expectativas eram muito altas. Não me desiludiu, é um livro excelente, a sua escrita é metafórica, oportunamente crua e repleta de alusões à natureza. Há alguns momentos muito intensos ao longo do livro e nesses momentos, o autor captou-me totalmente a atenção. O livro é composto por capítulos relativamente curtos que, na minha opinião, estão muito bem divididos, e através dos quais vamos recuando e avançando no tempo, alternadamente. Ao longo do livro temos as perspectivas de praticamente todas as personagens da história, o que nos permite conhecê-las de dentro. Contudo, confesso que houve algumas partes do livro que me custaram ler, talvez pela linguagem utilizada pelo autor, nessas alturas o meu envolvimento decrescia, sendo depois recuperado no capítulo seguinte. 

 

O livro conta-nos a história de uma família que se muda para o campo onde passam a viver da terra. Samuel, sente-se como um peixe na água com este trabalho, as árvores parecem conhecê-lo e saber que ele as ama mais do que tudo, mais do que à sua própria família, a qual ressente a sua ausência e total indiferença em relação a todos eles. Jude, a sua mulher, sente-se cada vez mais longe daquilo que um dia foi e daquilo que um dia julgou vir a ser. Os seus filhos, Laura, Esperanto e Vitória crescem sem que o pai tenha intervenção nos seus dramas e alegrias, o que se vai reflectindo nos seus comportamentos e percursos. À medida que a história se vai desenvolvendo percebemos que tudo tem consequências irremediáveis para todos.

 

A personagem de Samuel é tão real, tão conhecida do que por vezes observamos que nos é fácil conhecê-lo e, em parte, entendê-lo. Todos nós, muitas vezes, também descuramos aquilo que é na verdade mais importante. Este é um livro sobre perda e aprendizagem. E recomenda-se.

 

"Samuel abria a terra, Jude rodava em transe sobre o chão da cozinha, Esperanto metia vermes na boca para sentir o movimento de fuga sobre a língua e Laura deixava-se comer por um rapaz que babava ligeiramente quando se vinha em frémitos. Eram calmos os dias no campo onde nunca nada acontecia..."

 

Minha pontuação no Goodreads: 4*

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