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Holly Reader

Opiniões literárias, leituras programadas, desafios, devaneios, TAG's, novidades editoriais, eventos, encontros. Aviso: pode criar dependência a livros :)

A verdadeira vida de Sebastian Knight | Vladimir Nabokov

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Terminei de ler este livro há cerca de uma semana e meia de forma que estou um pouco atrasada com a publicação desta opinião. Este foi o primeiro livro que li de Nabokov e gostei muito. A história que o livro nos conta é sem dúvida original pois acompanhamos o percurso do protagonista na busca daquilo que foi a verdadeira vida do seu falecido meio-irmão. Apesar de pouco ou nada saber acerca dele, vamo-nos apercebendo, pouco a pouco, que este protagonista sabe sempre um pouco mais do que aquilo que afirma. Isto deixou-me intrigada e fez-me querer continuar a tentar perceber não só quem era o seu meio-irmão, como também quem era ele próprio. 

 

Adorei a forma como está escrito. Esperava uma escrita mais complexa e pesada, mas é precisamente o contrário. O autor tem, no entanto, um vocabulário muito rico, utilizando muitas vezes expressões ou até curtos diálogos em francês. O livro flui muito bem, mantendo sempre a curiosidade do leitor aguçada e terminamos quase sem nos apercebermos. Uma das coisas que mais gostei foi a capacidade que o autor tem para descrever determinados pormenores ou estados de espírito, deixo um exemplo em baixo na citação.

 

Recomendo vivamente. 

 

 

 "A mulher ao meu lado tinha um termos com café e manuseava-o com uma espécie de amor maternal. Sentia-me todo pegajoso e aflitivamente por barbear. Penso que se as minhas faces ásperas tivessem nesse instante aflorado um pedaço de cetim, eu teria desmaiado."

 

Minha pontuação Goodreads: 4*

O meu nome é Lucy Barton | Elisabeth Strout

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Pronto, eu confesso: não adorei. Não da forma como estava à espera. Gostei muito da forma como está escrito, com episódios curtos e intensos que vão desvendado a personalidade de Lucy (personagem principal). Contudo, não senti "aquela" ligação com ela, houve alguns momentos que sem dúvida me emocionaram, mas foram esporádicos e acabavam por se perder nos episódios seguintes. E "essa ligação" é sempre algo que não sabemos bem de onde vem nem conseguimos explicar os seus "porquês". No meu caso, para este livro, simplesmente não aconteceu. É, no entanto, notório que lidamos com uma escritora experiente, sabe exactamente como abordar as situações. 

 

O tema explorado ao longo do livro é a relação entre uma mãe e uma filha enquanto a filha (Lucy) está no hospital a recuperar de uma cirurgia. É sobretudo acerca da carência e da falta do amor de mãe e das suas repercurssões ao longo da vida de Lucy. Fazemos uma viagem à sua infância, passando por vários pontos chaves da idade adulta. Neste livro deparamo-nos a todo o momento com a importância de tudo aquilo que não é dito pelas personagens. O que não é dito é a verdadeira história de Lucy. 

 

"E sorríamos, porque isso parecia querer dizer alguma coisa - que não era a cicatriz o que me mantinha doente. Isto é, o sorriso era o nosso reconhecimento de que havia algo. Nunca mais me esqueci deste homem, e durante anos doei dinheiro em seu nome ao hospital. E na altura pensei, e mesmo hoje ainda penso, na expressão "imposição das mãos".

 

Minha pontuação no Goodreads: 3,5.

Livro do Ano Bertrand - Vamos votar?

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Estes são os 10 finalistas selecionados pelo público para o Prémio Livro do Ano Bertrand. Eu já votei no meu, e vocês?

Durante o ano de 2016 conheci a escrita maravilhosa de alguns escritores portugueses de forma que o meu voto tinha mesmo que ser para um deles. Não quero com isto menosprezar os outros escritores mas, (alerta cliché) se não formos nós a valorizar o que é nosso, quem valorizará?

 

Assim, a minha sugestão é a seguinte: vamos lá votar nos nossos autores?

 

(Nota: é necessário ter perfil/conta criada na bertrand online).