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Holly Reader

Opiniões literárias, leituras programadas, desafios, devaneios, TAG's, novidades editoriais, eventos, encontros. Aviso: pode criar dependência a livros :)

Leitura do momento

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Sabem quando olhamos para a nossa estante e pensamos "bolas, como é que vou conseguir escolher o meu próximo livro?". Então, peguei em todos os eles (os que ainda estão por ler) e abri-os. De alguns li a página inicial, outros apenas a dedicatória ou o prefácio, a biografia do autor, o resumo da história, enfim, deixei-me ficar no universo e no cheiro dos livros novos durante algum tempo. Depois, acabei por escolher este que iniciei há cerca de três dias. Estou a lê-lo devagar. As expectativas são muito altas pois já li opiniões muito boas acerca dele. Por agora estou a meio vapor.

 

Alguém por aí que já o tenha lido? Opiniões? Ou prognósticos? 

Índice médio de felicidade | David Machado

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Que livro fantástico, são as primeiras palavras que me ocorrem. Apetece-me recomendá-lo a toda a gente! Conta-nos uma história tão actual e tão verdadeira que é impossível ficar indiferente. O personagem principal, Daniel, fez-me logo segui-lo na sua aventura e torçer sempre por ele. Muito resumidamente, conta a história de um homem que se vê desempregado, longe dos filhos e mulher e enquanto um dos seus melhores amigos está preso, outro não sai de casa há mais de uma década.

 

A história é contada como um diálogo interior que o Daniel tem consigo próprio (mas finge ser para Almodôvar, o seu amigo que está preso).

 

A escrita do autor é vibrante e cheia de energia, tal como o personagem principal. Tudo começa com uma pergunta: "Numa escala de 0 a 10, quão satisfeito se sente com a vida no seu todo?", os números vão variando ao longo do livro porque a própria interpretação da pergunta e de todas as variáveis que a compõem também se vai alterando. No fundo, poderemos reduzir tudo aquilo que vivemos e somos a um só número?

 

"Importa isto: eu acreditava na possibilidade de refazer tudo, agarrar de novo as partes da minha vida que se tinham soltado, ajustá-las mais e melhor ao meu corpo."

 

Minha pontuação no Goodreads: (ainda a tentar decidir) 

 

Quem disser o contrário é porque tem razão | Mário de Carvalho

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Terminei este livro há uns dias e continuo em condições de dizer que é espectacular. No meu caso o tema interessava-me, mas posso dizer que vale a pena mesmo para quem não tem interesse em escrever ficção.

 

O autor leva-nos numa viagem pela história da literatura tomando como exemplo a forma como grandes autores (Eça de Queirós, Jorge Luis Borges, Umberto Eco, etc) escreveram as suas obras. É importante referir que o autor nos dá bases teóricas e bastantes bons exemplos sem nunca dizer as palavras "nunca façam assim..." ou "façam sempre assim...", não existem formúlas e o caminho serve para ser percorrido por cada um. Faz, no entanto, algumas advertências acerca de quais poderão ser os caminhos mais sinuosos, mas nada nos impede de os percorrer. 

 

Gostei muito porque aprendi imenso quase sem me aperceber, devido à forma como o próprio autor escrever, com vocabulário por vezes um pouco complexo (o que também foi uma aprendizagem) mas muito divertido. Com certeza vou abrir muitas mais vezes este livro.

 

"Pensar que se fica apto a escrever depois de ler um compêndio de escrita criativa é o mesmo que julgar que se passa a dominar uma língua após ter comprado um dicionário."

 

Minha pontuação no Goodreads: 4*

 

À espera no centeio | J.D. Salinger

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Li este livro dentro da Maratona Literária Fusão da Cláudia e para o Desafio Potter-a-Thon. As expectativas estavam bastante altas e devo dizer que o livro não é nada do que estava à espera o que, por si só, não é necessariamente mau. Infelizmente, neste caso, para mim foi. 

 

Penso que grande parte do meu descontentamento com o livro se deve ao facto de eu não ter compreendido o personagem principal. O livro narra os acontecimentos da vida de um adolescente que foi expulso de um colégio interno e que tenta ocultar esse facto dos pais. Durante todo o livro é como se estivessemos dentro da cabeça deste personagem, o que é uma experiência absolutamente esquizofrénica porque se num segundo afirma uma coisa, logo a seguir contraria-se, o que me deixou perdida, fiquei sem conseguir perceber as suas verdadeiras intenções. Compreendo que é um adolescente perdido (não são todos?) e perturbado, digo isto porque não tem um único pensamento ou frase que faça sentido. Na maior parte das vezes, enquanto fala, está abstraído com outras questões. 

 

Os comportamentos e pensamentos dos adolescentes podem ser desconcertantes (penso que toda a gente passou por isso) mas faltou-me uma linha orientadora, não percebi de onde é que o personagem vinha e, talvez mais importante ainda, onde queria chegar (mesmo que não tivesse chegado). Para além disto, a escrita não me cativou, grande parte da narração é repetitiva o que tornou a leitura aborrecida. 

 

Coloco em baixo uma das passagens que gostei do livro

"Vê se abres esses ouvidos. Seria completamente diferente. Tínhamos de descer de elevador cheios de malas e o resto. Tínhamos de telefonar a toda a gente para nos despedirmos e mandar-lhes postais dos hotéis e tudo. E eu havia de ter um emprego num escritório qualquer, a ganhar uma data de massa, a ir para o trabalho de táxi ou nos autocarros da Avenida Madison, a ler os jornais, e a jogar brigde o tempo todo, e a ir ao cinema a ver uma data de curtas-metragens estúpidas e de anúncios de filmes de atualidades. Atualidades. C´um caraças. Há sempre uma estúpida corrida de cavalos, e uma dama qualquer a partir uma garrafa contra um barco, e um chimpanzé a andar na merda de uma bicicleta vestido com umas calças. Não seria nada a mesma coisa. Não estás mesmo a ver o que eu quero dizer."

 

Minha pontuação no Goodreads: 2*